.
Sei que a ferida ainda está aberta e que o sangue ainda não coagulou, mas não posso deixar de reflectir sobre o futuro. Este atentado em Espanha veio mostrar à Europa mas principalmente a Portugal que o sossego acabou e que não se pode pura e simplesmente enterrar a cabeça na areia e esperar que sejam os outros a comandar os nossos destinos. A dicção de expressões como “low profile” ou “brandos costumes” começa a ser uma tarefa de díficil compleição. Terrorismo, Al-qaeda, Islão, Intifada, Corão, OLP, Hamas, Al-Aqsa ou Imperialismo são terminologias que saltaram da televisão e aterraram-nos no colo, derramando pelo chão a Coca-Cola que bebíamos enquanto assistiamos a tudo isto confortavelmente instalados lá em casa, no sofá. É real e assustador. Mas para podermos combater os “efeitos” temos de conhecer as “causas”. Os desiquilibrios sociais causados pela lógica capitalista têm de ser compensados de alguma forma. Não podemos continuar a pactuar com um sitema que começa a assumir contornos de selvajaria. Diz Pareto que 20% da população mundial controla 80% dos recursos, e a Europa em geral orgulha-se de pertencer a esta família. Não podemos controlar uma maioria “esfomeada” e pedir-lhes que sejam ordeiros e silenciosos. O terrorismo é um dos formatos da violência, mas esta nem sempre exibe um cadáver! Que as consciências se agitem, e que não se desperdice nem mais uma vida! Está na hora de acordar...
Sem comentários:
Enviar um comentário