sexta-feira, julho 09, 2004

A MANIA DOS TICKETS



Ele é nas lojas do cidadão, nos hipermercados, nas repartições de finanças, nas secretarias...um gajo vai nem que seja num caralho de um quiosque e a merda do desenrolador vermelho com senhas numeradas parece uma praga. Está em todo o lado! Acabaram-se as golpadas, os “desculpe lá que eu tenho o carro mal estacionado” ou “Deixe-me passar que se eu não chego a casa dentro cinco minutos levo um arraial de porrada”. Acabaram-se os velhinhos que subrepticiamente se iam chegando e com o tradicional “encosto de ombro” arranjavam uma brecha com a maior das descontrações, legitimados pela velha máxima: “A idade é um posto”. Acabaram os empurrões, os palavrões, as ameaças de morte. Os “ Ó seu caralho! Não viu que eu já estava aqui primeiro?”. Agora com esta merda que piada tem estar em “bicha”? Pior...quando chega a nossa vez, já sabemos que é a nossa vez e a sensação de vitória já não existe! Já não nos viramos para o pulguedo enfurecido e com a satisfação estampada no rosto sussuramos “Toma, Chupa, Mama!”. Não...agora levantamos a merda do ticket e pronto, já está! O único gozo que ainda retiramos da “bolacha vermelha” é quando descobrimos o gajo que tem o nº a seguir ao nosso. Esperamos que chamem o nosso nº, uma , duas, três vezes e nada! Mantemo-nos em silêncio...No preciso momento em que o número vira e chamam o outro gajo, metemo-nos à frente dele com “encosto de ombro” e tudo e acenamos com o ticket mesmo em cima do nariz do melro! Eles ficam pior que fodidos! Nem tudo mudou para pior...Eh..Eh..Eh.

2 comentários:

mascarilha disse...

sem a menor sombra de dúvidas que estamos todos de acordo com o nosso filósofo Sabão. No entanto o "olha-me para este caralho, nem ainda o vi e já tem 1 número á minha frente" continua presente apesar de em menor quantidade. Realmente a vida está a ficar sem piada. No entanto, vou contar o que me aconteceu, e para ser sincero até gostei que me insultassem, me chamassem de caralho entre outras coisas. Andava eu certa matina á procura de uma instituição pública cuja concorrência de fregueses é de arrepiar. Quando pensamos lá ir até os pelos do cú batem palmas. Mas o engraçado...como não sabia qual era a localização da referida instituição dirigi-me a um fdp de um velho e com sorriso forçado perguntei onde poderia encontrar a entidade pública. O fdp do velho, que antes de falar com ele, já nem o podia ver, indicou-me o caminho (mais próximo) e babem-se...deu-me 1 ticket com um nr que esvava muito próximo de ser chamado. Os meus olhos encheram-se de lágrimas e pensei para mim: Obrigado cabrão mas andas a foder números às outras pessoas??? Que se foda. Dá cá o ticket e põe-te nas putas. O resto do filme é previsível. Realmente o nr estava quase a entrar no placard electrónico e o resto do pulguedo sujo e fedorento a reclamar. Um cheiro a suor e a alho das bocas destes imundos que vocês nem imaginam. Enfim, o prazer que foi espetar aquele nr magnifico debaixo dos olhos de quem estava á espera algumas horas para ser atendido. Eles espumavam, os olhos estavam enraizados de sangue, as veias todas salientes, os berros (que muitas vezes era mais saliva do que outra coisa) eram constantes. no final depois de ser atendido fui delicado: Tenham um bom dia meus senhores, tenham paciência que a vida são dois dias e CHUPEM, MAMEM SEUS CARALHOS DE MERDA. VAO TRABALHAR.

Anónimo disse...

A vida são estes raros momentos de felicidade...