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quarta-feira, outubro 05, 2005

ARCADE FIRE IN TIME

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«The Arcade Fire se retrouve en page frontispice de l’édition canadienne du Time (4 avril 2005).

En tout, neuf pages étonnamment bien foutues (le Time Magazine n'est quand même pas une référence en matière de rock and roll, mais peut-être un peu plus que le Rolling Stone à bien y penser) sur la popularité actuelle des groupes indépendants canadiens, dont un bref exposé «indie rock 101 for dummies».

Entrevue intéressante avec Arcade Fire, réalisée lors de leur récent passage en Angleterre. Et (ça ne fera pas de tort) quelques photos inédites de la formation.
Quelques paragraphes sur d'autres groupes canadiens: les montréalais Stars et The Dears, Metric, et The Organ, un groupe de Vancouver que j'aime de plus en plus (elles sont en show les 15 et 16 avril à Montréal, avec Stars justement).
Le tout se termine par un article («The insider’s guide to indie rock») écrit par Brendan Canning, du collectif torontois Broken Social Scene.»

ARCADE FIRE

A par com Interpol, Arcade Fire foi das bandas da new have que mais me encantou. Frescas sobre eles:

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«O novo álbum vai ser gravado numa igreja rural no Canadá.

Os Arcade Fire estão a preparar um novo álbum e já fizeram saber que este será, fortemente, inspirado pelos desastres naturais que abalaram o mundo, concretamente o Tsunami, na Ásia, e os furacões que devastaram estados norte-americanos.
Os canadianos disseram ainda numa entrevista à MTV que só começarão a gravar quando terminarem a adaptação de uma igreja rural do Quebeque que vai servir de estúdio. Para o sucessor de “Funeral”, lançado em 2004, a banda promete muitas texturas diferentes.»
[Antena 3]

sexta-feira, março 11, 2005

U2

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Ainda não tinha prestado muita atenção ao “How to dismantle na atomic bomb” dos U2. Não considero nada de especial. Mais um momento evocação à produção do que à inspiração. Quando o artista tem que seguir por esta via o balanço tende quase sempre mais para o negativo do que para o positivo.
Mesmo assim descarto uma canção “Sometimes You Can’t Make It On Your Own” a qual tem um crescendo que considero absolutamente fabuloso:

«Can - you - hear - me - when - I –
Sing, you're the reason I sing
You're the reason why the opera is in me...»


Este é o pico canção, mais pela música[voz de Vox, Bono Vox] do que pela letra.
De resto, fiquem a saber que os bilhetes para Agosto, são alvo da maior especulação de mercado. A oferta e a procura impõem a sua lei = 1500€, bastam para comprar um bilhete.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

MUDA DE VIDA

Esta é a música que o Bloco de Esquerda usa na sua campanha, contudo com o Bloco não quero nada, mas com músicas destas quero tudo. Tão melódica, cheia de matéria, intemporal, e universal que ela é. Podemos pegar nela de qualquer posição.

MUDA DE VIDA-ANTÓNIO VARIAÇÕES

«Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de
Mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser
assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de
mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser
assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de
mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar»

domingo, novembro 28, 2004

NATURE BOY - NICK CAVE



I was just a boy when I sat down
To watch the news on TV
I saw some ordinary slaughter
I saw some routine atrocity
My father said, don't look away
You got to be strong, you got to be bold, now
He said, that in the end it is beauty
That is going to save the world, now

And she moves among the sparrows
And she floats upon the breeze
She moves among the flowers
She moves something deep inside of me

I was walking around the flower show like a leper
Coming down with some kind of nervous hysteria
When I saw you standing there, green eyes, black hair
Up against the pink and purple wisteria
You said, hey, nature boy, are you looking at me
With some unrighteous intention?
My knees went weak,
I couldn't speak, I was having thoughts
That were not in my best interests to mention

And she moves among the flowers
And she floats upon the smoke
She moves among the shadows
She moves me with just one little look

You took me back to your place
And dressed me up in a deep sea diver's suit
You played the patriot, you raised the flag
And I stood at full salute
Later on we smoked a pipe that struck me dumb
And made it impossible to speak
As you closed in, in slow motion,
Quoting Sappho, in the original Greek

She moves among the shadows
She floats upon the breeze
She moves among the candles
And we moved through the days
and through the years

Years passed by, we were walking by the sea
Half delirious
You smiled at me and said, Babe
I think this thing is getting kind of serious
You pointed at something and said
Have you ever seen such a beautiful thing?
It was then that I broke down
It was then that you lifted me up again

She moves among the sparrows
And she walks across the sea
She moves among the flowers
And she moves something deep inside of me

She moves among the sparrows
And she floats upon the breeze
She moves among the flowers
And she moves right up close to me



Fotografias gamadas daqui, eu não tenho culpa.

domingo, outubro 17, 2004

MUSE - actualizado

A minha banda de momento, tem como título para o seu último álbum “Absolution”, e o raça do disco contém baladas duras “comó diacho”, daquelas que fazem descolar a carne do osso, são tipo um alerta tardio a alguém que já deu o passo para o abismo … enfim, mas não há volta a dar-lhe … senão ouvir as suas canções ciclicamente, porque o impacto no fundo é inevitável, só resta prolongar o tempo de queda ... a melodia tem sempre um sentido descendente.



As minhas favoritas, deste álbum são:

- Time is running out (letra);
- Falling Away With You (letra);
- Hysteria (letra);
- Thoughts Of A Dying Atheist (letra).

O sítio da banda, e quem quiser partilhar informação sobre a banda, façam-me o favor.

Imagens, (01), (02), (03).

A biografia da banda.

terça-feira, outubro 05, 2004

ATÉ AMANHÃ CAMARADAS !

Declaração de Carlos Carvalhas, Secretário-Geral do PCP
Faial, 5 de Outubro de 2004

1. Deixarei as funções de Secretário Geral do PCP no próximo Congresso. As razões são simples: 12 anos como Secretário Geral mais 2 anos como Secretário Geral Adjunto. São 14 anos. Não se trata de divergências nem de cansaço.

2. Sempre defendi que no ciclo que iniciei, o Secretário Geral não se deveria eternizar no lugar. Sem querer fazer teoria, defini como horizonte da minha disponibilidade um máximo de dois mandatos. Por razões específicas, aceitei mais um mandato no XVI Congresso.

3. Os Órgãos Executivos conhecem esta minha decisão há mais de um ano reafirmada formalmente no principio do ano na Comissão Política.

4. Nessa declaração formal expressei também opinião que no XVII Congresso se deveria procurar fazer um significativo rejuvenescimento e renovação de quadros a todos os níveis: CC, Órgãos Executivos, etc.

5. Esta declaração estava para ser feita amanhã ou quinta-feira logo que todos os membros do Comité Central tivessem sido informados. O novo Comité Central a eleger em Novembro no XVII Congresso elegerá o futuro Secretário Geral.

6. É uma decisão natural, sem dramatismos. Até ao Congresso continuarei a desempenhar cabalmente as minhas funções tal como o tenho feito há mais de um ano, isto é desde de que dei conhecimento aos Órgãos Executivos do Partido, tudo fazendo para derrotar a política de direita do Governo PSD/CDS-PP e agora para que a CDU tenha um bom resultado nas Eleições Regionais.
Continuarei a lutar com determinação pelas minhas convicções e ideais e pelas causas que são a razão de ser do meu Partido.

7. Não ignoro que, com uma vida política excessivamente fulanizada e com a perversa tendência mediática para quase reduzir os partidos aos seus Secretários-gerais ou Presidentes, a decisão que acabo de anunciar poderá ter uma certa repercussão e gerar uma certa concentração de atenções, para já não falar do quase certo relançamento de intrigas e especulações sobre a vida interna e a situação do PCP.

Confio porém que os militantes do PCP e a generalidade dos portugueses que segue com apreço a luta do PCP enfrentem com serenidade e racionalidade política esta questão, na base de uma forte consciência de que, sem prejuízo da inegável importância e relevo das funções de Secretário-geral, o que faz a história, a força e a vitalidade do PCP é o seu projecto político, são as grandes causas humanistas por que se bate, são a acção colectiva em que sustenta a sua intervenção e a solidariedade e fraternidade dos que, militando no PCP ou nele se reconhecendo, se dedicam com exemplar generosidade à defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo português.

E tb um até amanhã Camaradas da minha parte também (mas não, não serei o escolhido pelo Comité Central para ser o substituto) foi bom partilhar estes momentos com todos vós, conhecer novos amigos, alguns estavam mesmo aqui ao lado, outros um pouco mais distantes, mas agora devo deixar o Nelsu crescer sózinho. Abraço forte e sentido a todos e virei visitar-vos sempre que a saudade apertar...mas apenas como António Magina, o meu pseudónimo.

sexta-feira, outubro 01, 2004

NO DIA EM QUE EU...

"....eu me transformar num CD, serei aquele que tiver todos os temas de que tu gostas. Serei um CD que demore muito a procurar, para rapidamente perceberes que será melhor se o deixares permanecer a teu lado, o tempo todo, para de quando em vez o ouvires a cantar para ti e o utilizares de forma cuidada.Para não me arranhares.

Serei um CD de edição limitada, raríssima, que não está à venda nas lojas habituais nem muito menos nos anúncios das Televendas. Serei o teu bem mais precioso, um CD brilhante, com as melhores críticas nos jornais especializados e que todos comentam à porta dos concertos.

Serei um CD só teu, para ouvires sózinha, quando todos se tiverem ido embora. Ansioso para que me tires da caixa onde permaneço embrulhado, na esperança de que me insiras na gaveta da aparelhagem e me ouças a derrubar o silêncio, como se te segredasse algo ao ouvido. E chega-te bem a mim para que eu te veja os olhos e põe o volume no máximo para me sentires bem alto e me descubrires a cada tema que passa. E só depois de me ouvires todo é que me podes fechar novamente, na triste escuridão de uma caixa de CD, que nada mais espera que não seja o outro dia, o da manhã seguinte, quando tu me abrires para me ouvir outra vez."

"Quero que saibas que eu sou o teu CD mais dedicado. Que uma noite sem ti, são muitos meses. Que um dia sem ti, são muitos anos."

Fernando Alvim
"No dia em que fugimos tu não estavas em casa"


Este post é dedicado a uma grande mulher e actriz e ao Vasco.

terça-feira, setembro 28, 2004

DE REPENTE...

Sinto-me como um americano, por duas razões : temos um primeiro-ministro que não ganhou as eleições e "Antics" apareceu hoje dia 28 nas bancas quando a data europeia era a de ontem.
Vai ser álbum do ano acreditem e também o último que irei comprar, senão leiam isto :

"THIS RECORDING AND ARTWORK ARE PROTECTED BY COPYRIGHT LAW.USING INTERNET SERVICES TO DISTRIBUTE COPYRIGHTED MUSIC, GIVING AWAY ILLEGAL COPIES OF DISCS OR LENDING DISCS TO OTHERS FOR THEM TO COPY IS ILLEGAL AND DOES NOT SUPPORT THOSE INVOLVED IN MAKING THIS PIECE OF MUSIC-INCLUDING THE ARTIST.
BY CARRYING OUT ANY OF THESE ACTIONS IT HAS THE SAME EFFECT AS STEALING MUSIC.
APPLICABLE LAWS PROVIDE SEVERE CIVIL AND CRIMINAL PENALTIES FOR THE UNAUTHORIZED REPRODUCTION, DISTRIBUTION AND DIGITAL TRANSMISSION OF COPYRIGHTED SOUND RECORDINGS.
MANY EXAMPLES OF WHERE TO BUY LEGAL DOWNLOADS CAN BE FOUND AT WWW.MUSICFROMEMI.COM"

segunda-feira, setembro 27, 2004

ONDE ANDAS TU ALVIM ?



Normalmente, gajo que é gajo sente é saudades de ga(i)jas...mas eu gostava de voltar a encontrar este "Gajo" depois que lí o livro dele nunca mais fui o mesmo, bem houve mais algumas coisitas também, mas coisa pouca...
Alguém o tem visto ?

terça-feira, setembro 21, 2004

MEMÓRIAS DE UMA FÃ





Fotos gentilmente cedidas por Cristina Romariz.

domingo, setembro 19, 2004

MEMÓRIAS DE LISBOA

As Más :

-A antipatia de um engraxador de sapatos.
-Ter comido a pior Pizza da minha vida na Rua Augusta. Os pombos adoraram!!!
-Ter sido abordado várias vezes por traficantes de droga.

As Boas :













Fotos fornecidas por fãs portugueses (Cláudio, Riqueza e Rui) e espanhóis (Juanjo e Daniel).
Tudo cortesia do site : http://www.madonnalicious.com/

terça-feira, setembro 14, 2004

KABBALISTS DO IT BETTER!

Eu até nem sou um grande fã da mulher, começei a interessar-me mais apenas a partir de "Ray of Light" confesso, mas já ando nisto à muitos anos e este foi de facto O MELHOR ESPECTÁCULO DE SEMPRE a que já tive oportunidade de assistir. Para a história ficam memórias visuais e auditivas fortíssimas e um concerto magnífico que recuperou os principais êxitos da carreira de Madonna. Com um pavilhão Atlântico a rebentar pelas costuras e com povo vindo de todos os cantos do mundo, desfilaram os seguintes 24 temas e por esta ordem (a negro os momentos mais belos para mim) :

-The Beast Within
(tema falado e inspirado no Livro das Lamentações com a cantora a "emergir" do interior do palco e as cerca de 20 mil pessoas de pé)
-Vogue(Madonna "espartilhada" por Christian Lacroix põe tudo a mexer logo na primeira música e dá uma lição de Yoga)
-Nobody Knows Me
-Frozen
-American Life (Madonna e os seus dançarinos em traje militares a subirem uma ponte suspensa e a irem até ao meio do pavilhão para delírio dos que estavam mais longe do palco)
-Express Yourself
-Burning Up
-Material Girl
-Hollywood
-Hanky Panky
-Deeper and Deeper
-Die Another Day
-The Lament
-Bedtime Story
-Nothing Fails
-Don't Tell Me
-Like a Prayer
-Mother and Father
-Imagine (versão de John Lennon com centenas de isqueiros acesos)
-Into The Groove
-Papa Don't Preach (mais uma lição de dança e energia notáveis)
-Crazy For You
-Music
-Holiday (com a ponte de novo em baixo, Madonna despede-se do público indo, de novo, até ao meio do recinto numa estrutura metálica impressionante e termina com uma imagem no gigantesco video wall que fica gravada na memória de todos: uma bandeira Palestiniana junto a uma Israelita).

Ainda de destacar, os apupos do pavilhão ao primeiro ministro Santana Lopes; os primeiros acordes de "Bitter Sweet Symphony" dos Verve antes de um tema que agora não me vem à memória; as Gaitas de Foles; Madonna a envergar uma T-Shirt negra com a inscrição KABBALISTS DO IT BETTER e a atirá-la ao público.

Em breve, postarei imagens deste EVENTO único e mágico.

terça-feira, abril 20, 2004

ESTADO A QUE CHEGÁMOS

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«Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os sociais, os corporativos e o Estado a que chegámos.» Palavras do Capitão Salgueiro Maia. As fotografias são uma cortesia do Grão de Areia.Oh!Oh!

segunda-feira, abril 19, 2004

GUERRILHEIROS DAS PALAVRAS - I

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Na história da música portuguesa existem muitas personalidades marcantes. Artistas que, pelo seu talento, carisma e popularidade marcaram o seu tempo.
Não são muitos, porém, os que determinaram a história da música. José Afonso foi um deles.
Ficaria conhecido por um nome ao mesmo tempo íntimo e universal: Zeca Afonso. Um nome que refere mais do que o artista, mas convoca uma figura poderosa no imaginário colectivo, figura que adquire contornos de mito. Disso tinha, de alguma forma, consciência. Na longa recolha de entrevistas que José António Salvador reuniu no livro Livra-te do Medo, afirma: "Eu um mito? (...) Só sinto que sou um mito quando me falam disso."
José Afonso não se limitou a determinar o curso da história da música. Foi protagonista destacado nas principais mudanças culturais, políticas e sociológicas que Portugal conheceu desde os anos sessenta.
Talvez seja esta a principal característica que distingue Zeca Afonso. Ele transcendeu largamente a sua condição de compositor-cantor e o seu estatuto de artista. Foi um homem que fez de novo.


JOSÉ Manuel Cerqueira AFONSO dos Santos, filho de Maria das Dores e José Nepomuceno Afonso, nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929.
Durante a sua infância percorreu diversos lugares que passaram desde logo a constituir referências e constantes memórias - Aveiro, Angola, Moçambique, Belmonte.
No início dos anos 40, e até 1953, Coimbra foi a cidade onde permaneceu, aí frequentando o liceu e a Faculdade de Letras. Integrou o Orfeão Académico e a Tuna Académica da Universidade, começando também a interpretar o Fado de Coimbra.
Entre 1953 e 1955 cumpriu o serviço militar em Mafra. Após o que voltou a Coimbra iniciando então a sua actividade no ensino, leccionando em Mangualde, Aljustrel, Lagos, Faro e Alcobaça.
Em 1958, no claustro do Mosteiro de Ceira perto de Coimbra, gravou o seu primeiro disco.
Após uma breve permanência em Faro, partiu para Moçambique onde ficou entre 1964 e 1967, ensinando em Lourenço Marques e na Cidade da Beira.
Voltou para Portugal em 1967, fixando-se em Setúbal.
Foi expulso do ensino oficial por razões políticas. A partir daí a sua actividade dividiu-se entre as explicações particulares e o canto, apoiando numerosas colectividades e associações populares, a par de uma cada vez mais comprometida actividade política.
Depois do 25 de Abril de 1974, José Afonso partilhou e entregou-se por inteiro à liberdade, à solidariedade, à fraternidade.
Entre 1979 e 1987 viveu em Azeitão.
Percorreu centenas de quilómetros cantando sempre e para sempre, porque afinal há silêncios que não existem.

Discografia

Créditos : o texto em itálico e a foto foram retirados daqui
o outro texto daqui

domingo, abril 18, 2004

BREVE SUMÁRIO DA HISTÓRIA POLÍTICO-SOCIAL DE PORTUGAL (1945-1974)

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Após a derrota da Alemanha, em 1945, o governo português decretou luto nacional pela morte do nazi Hitler, tendo, a vitória dos Aliados sido celebrada com inúmeras manifestações de cariz popular. Perante estas, o “Estado Novo” , através da sua máquina de propaganda, procura impor a expressão “ democracia orgânica” para caracterizar o regime.
Norton de Matos, presidente do Movimento de Unidade Antifascista, criado em 1943, depois de obter o apoio de algumas regiões militares, prepara uma revolta que não chega a verificar-se. Na sequência deste facto, Salazar dissolveu a Assembleia Nacional e proclama a realização de eleições, com “permissão oficial” de participação à oposição que, aproveitando tal facto, se aglutina formando o Movimento de Unidade Democrática (MUD). Apesar dos 30 dias dados à oposição para se organizar e das inúmeras dificuldades levantadas, o MUD consegue apoios significativos. Só que a promessa de Salazar em realizar eleições “ tão livres como na livre Inglaterra” não passou de mais uma farsa e a oposição acabou por desistir, tendo posteriormente sido perseguidos os seus principais apoiantes e dinamizadores.
Mercê dos “ensinamentos” de instrutores nazis, forma-se a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) e as prisões enchem-se. Mas não conseguem estancar as correntes da resistência: em 1946, formou-se o MUD juvenil e uma revolta militar desencadeada no Porto é detida na Mealhada; milhares de operários têxteis, em luta por melhores salários, entram em greve, em 1947,exemplo de luta logo seguido pelos operários da zona industrial de Lisboa; neste mesmo ano, nova revolta militar e o regime intervêm nas principais universidades, expulsando 22 professores, o que desencadeia intenso movimento de protesto dos estudantes.
O capitão Henrique Galvão é preso. Motivo? Ousa, em 1947, levantar o problema da política colonial portuguesa, pondo-a em causa num relatório elaborado para ser apresentado a algumas organizações internacionais.
Em 1949, realizam-se eleições para a Presidência da República, tendo a Oposição apresentado a candidatura do General Norton de Matos que, em face das dificuldades e manobras do governo, acaba por retirar. Após a esperada/imposta reeleição do General Carmona, assistiu-se à promulgação de “medidas de segurança” visando a prisão perpétua de um político ao dispor que a prisão pode continuar por tempo indeterminado mesmo depois de cumprida a pena.
Entre 1950 e 1953 sucedem-se as lutas das massas trabalhadoras e a PIDE multiplica as perseguições, torturas e prisões. Com a morte de Carmona, ocorrida em 1951 realizam-se novas “eleições”. Pela Oposição surgem como candidatos o almirante Quintão Meireles e o Prof. Rui Luís Gomes (cuja candidatura é recusada sob a acusação de se tratar de um “comunista”). Uma vez mais a renúncia surge como a única forma de não pactuar com as manobras do fascismo e o General Craveiro Lopes, proposto pela União Nacional, torna-se o “novo” Presidente da República.
Do estrangeiro começam, entretanto, a surgir críticas ao colonialismo e, em 1953, verifica-se uma revolta em S.Tomé, que acaba com inúmeras prisões e mortes. Perante o intensificar das críticas internacionais ao colonialismo, o governo promulga um “bizarro” Estatuto do Indígena pelo qual em Angola, Guiné e Moçambique se “extingue” a condição de indígena e se “concede” a cidadania “aos indígenas, maiores de 18 anos, que falem correctamente português, ganhem para manter a família ou tenham bens suficientes e possuam a ilustração e os hábitos necessários à condição de cidadãos portugueses”. Só que 96,7% e 98,4% da população total de Angola e Moçambique, respectivamente, são, na altura, “indígenas não civilizados!”.
Na sequência da luta generalizada dos camponeses alentejanos por melhores salários, é assassinada, pelas forças repressivas da GNR, Catarina Eufémia…”e ficou vermelha a campina do sangue que então brotou”, como cantou José Afonso.
Em 1958, novas eleições. Pelo governo, é proposto o contra-almirante Américo Tomás e, pela oposição, o Dr. Arlindo Vicente que, logo mais, e perante o apoio das massas ao general Humberto Delgado, o outro candidato inicialmente proposto, desiste a favor dele.
Os 25% dos votos atribuídos pelo governo a Delgado são, evidentemente, falsos: Humberto Delgado tinha arrastado consigo verdadeiras multidões. Realizam-se manifestações populares de apoio à contestação de tais resultados. A repressão ultrapassa todos os limites: prisões sem número, cargas policiais sobre os manifestantes, exílio de Humberto Delgado e do Bispo do Porto.
Em face do sucedido e sacudido por nova revolta militar, o governo procede a uma alteração significativa do Constituição: o Presidente da República passa a ser eleito, não por sufrágio directo e universal, mas por um colégio eleitoral constituído pela Assembleia Nacional, Câmara Corporativa e representantes dos municípios e das províncias ultramarinas.
Em 1960 as fugas de Álvaro Cunhal e outros presos políticos detidos em Peniche, veio vibrar importante golpe no “prestígio” dos esbirros de Salazar. Nas Nações Unidas, Salazar insiste em falar de “províncias ultramarinas”, recusando a designação de “colónias”, e recusa-se a dialogar com o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), quando estes movimentos nacionalistas se mostram dispostos a dialogar.
Henrique Galvão, que em 1959 conseguira fugir de um hospital lisboeta, assalta, em 1961, em pleno Mar das Caraíbas, o paquete “Santa Maria”, chamando desse modo as atenções mundiais para o regime repressivo vigente em Portugal.
Em Angola, o MPLA, inicia em 1961, o processo da luta armada pela conquista da independência e, neste mesmo ano, o exército indiano invade Goa, Damão e Diu. Salazar proclama a política do “orgulhosamente sós”, insensível perante as decisões de órgãos internacionais como as Nações Unidas. Em finais do ano, nova revolta militar, desencadeada no quartel de Beja.
Em 1962, a agitação política em torno da contestação do regime e da legitimidade da guerra colonial – para cujo teatro de operações começam a ser enviadas tropas portuguesas em grande escala – alastra às universidades, entre Março e Maio: a polícia não hesita em penetrar nas mesmas, registando-se violentos confrontos com os estudantes.
Entretanto, forma-se a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), que inicia a luta armada em 1964.
Em 1965, Humberto Delgado é assassinado e ao país é dado simples conhecimento da reeleição de Américo Tomás. As eleições para a Assembleia Legislativa permitem à oposição denunciar a questão da guerra colonial, pronunciando-se pela sua resolução pacífica (auto-determinação).
Começa o processo de constituição de várias organizações revolucionárias: LUAR (Liga de União e Acção Revolucionária), em 1967; ARA (Acção Revolucionária Armada), em 1970; e BR (Brigadas Revolucionárias), em 1971.
Mas, em 1968, Salazar é afastado do poder por uma cadeira e Marcelo Caetano, que em 1962 era reitor da Universidade de Lisboa e se demitiu por considerar que a autonomia universitária tinha sido violada pela invasão policial, é nomeado chefe do governo, apostando desde logo na política da “renovação na continuidade”, isto é, mudar nomes (“Estado Social” em vez de “Estado Novo”; “Direcção-Geral de Segurança” em vez de “PIDE”; “Exame Prévio” em vez de “Censura”; “Estados” em vez de “Colónias” ; etc.).
Em 1969 prossegue com redobrado vigor a guerra colonial. Mondlane, presidente da FRELIMO, é assassinado; era demasiado perigosa a sua determinação e a sua visão realista do problema (“Nós, Moçambicanos, nada temos contra o povo português”).
Em novas eleições para a Assembleia Nacional, a oposição surge dividida: CDE (Comissão Democrática Nacional) e CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática). O resultado foi a farsa do costume e, na Assembleia Legislativa, apenas a União Nacional teve lugar. As abstenções atingiram um número tal que, em distritos como os de Lisboa e Setúbal, foram superiores ao número de votantes!
De 1970 a 1974 desvanece-se por completo a fachada pseudo-liberalizadora anunciada na “Primavera Marcelista”. O fascismo permanece e revela-se incapaz de conter o vasto movimento popular que a combatia em todas as frentes, incluindo a militar, no seio da qual se formou, em 1973, o MFA (Movimento das Forças Armadas) que, finalmente, em 25 de Abril de 1974, restaurou a liberdade e a democracia no país de Abril tão desejado.


Extraído de "Música Popular Portuguesa" de Mário Correia, ed. Centelha-MC, 1984.

quarta-feira, abril 14, 2004

INFORMAÇÃO DO OLHO CLÍNICO

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Rocktaract
6º Concurso Música Moderna de Santa Maria Feira
16 a 24 Abril

16 Abril - 21h30 - 1ª Eliminatória
Dioz, Puny, The Face, New Connection + Alla Polacca + DJ Vítor Hugo

17 Abril - 21h30 - 2ª Eliminatória
Flunk, Rope, Sutzu, Sahib + Ultimate Architects + DJ Ricardo Cardoso

23 Abril - 21h30 - 3ª Eliminatória
Dispatch Note, Nagual, Tetanus, The Nutty Pea + Big Fat Mamma + DJ Alcides Campos – XPTO_NTV

24 Abril - 21h30 - FINAL
4 bandas finalistas + Dealema + DJ Álvaro Costa

Cine-Teatro António Lamoso - Câmara Municipal Santa Maria Feira - Rotaract Club Feira - Feira Viva EM

É PRECISO É ESTILO!

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MÃO MORTA – NUS (COBRA 2004)

Ainda mal refeito de não ter ganho o mega-jackpot de sábado passado dou por mim á procura de um paliativo (fiquei mesmo desapontado, a sério!) e eis que hoje dou de caras com este disco que é vendido com o jornal Blitz (por apenas mais uns 9,5€) e que grande surpresa! Que estranhas sensações a sua audição me trouxe e que fabuloso é o tema de abertura “Gumes” e também “Estilo”. São afinal Adolfo Luxúria Canibal y sus muchachos em grande forma e acreditem que eu os sigo desde o longínquo Mão Morta de 1987 que ainda guardo (em vinil e em CD pois então!) devidamente autografado.

Assomados, com o andar tibuteante das vítimas da realidade absoluta, desfalecemos em convulsões de electrochoque no turbilhão da engrenagem triturante que nos transporta em sucessivas oscilações sísmicas para o apaziguamento da indiferença e o amargo isolamento da solidão. Nada é o que era, nada foi o que sonhamos, apenas visões esfumadas ao contacto da memória, apenas imprecisas impressões de um tempo gasto pela usura. Tivemos o mundo, fomos o mundo... Salve, cadáveres brancos da inocência! Salve, corpos belos do amor! Salve, feiticeiros da embriaguez permanente! Salve, magos da existência não fragmentária! Salve, pederastas do desejo, junkies do caos, prisioneiros da liberdade! Salve, irreprimível lúdico! Salve, criadores de vida, amantes da infância, viciados do presente! Salve, orfãos perdidos! Salve! Salve! Salve!

Que grande maneira de celebrar 20 anos de carreira…SALVE MÃO MORTA!

sexta-feira, abril 09, 2004

CINCO RAZÕES PARA SE GOSTAR DA PÁSCOA



PATTI SMITH – EASTER (ARISTA 1978)

De regresso de uma pausa forçada devido a uma queda em palco, Patti Smith consegue com este seu terceiro álbum o seu maior sucesso comercial de sempre depois do seu relativo fracasso em “Radio Ethiopia”. Produzido por Jimmy Lovine este disco tem no single “Because The Night”, um original de Bruce Springsteen, um dos seus melhores momentos e que esteve no Top 20 cerca de cinco meses. Não sendo o seu melhor trabalho, é um bom disco pleno de garra e onde o espírito Punk de Smith está bem presente, como no tema “Rock n Roll Nigger”, anos mais tarde incluído na banda sonora do filme “Assassinos Natos”.



PETER GABRIEL – PASSION (REAL WORLD 1989)

Feito para ser a banda sonora do filme “A Última Tentação de Cristo” de Martin Scorsese este disco reflecte uma viragem de Gabriel em direcção à música do mundo. Indissociável da carga dramática da película, Peter Gabriel oferece-nos com este trabalho uma palete de sons e ambiências sonoras verdadeiramente luxuriantes fruto de recolhas feitas na Turquia, Senegal e Egipto. Profundo e comovente é também o primeiro disco da sua editora Real World que tem feito uma excelente divulgação de músicos desta aldeia global a que chamamos Terra.



ANTONIO CALDARA – MADDALENA AI PIEDI DI CRISTO (HARMONIA MUNDI 1995)

Obra-prima do barroco Veneziano, este Oratório de 1700 de Caldara atinge tamanho grau de intensidade dramática e beleza que palavras minhas poderão jamais descrever. Comprei-o há uns anos e foi através dele que descobri a voz de Andreas Scholl, talvez o mais aclamado Contra-Tenor da actualidade aqui dirigido por René Jacobs e com um elenco verdadeiramente excepcional num registo que arrebatou a imprensa especializada. Um dos discos que me fez gostar de música clássica.



J.S. BACH – MATTHÄUS PASSION (TELDEC 1970)

Não se sabe ao certo quantas Paixões escreveu Bach mas só duas chegaram até nós. A segunda Paixão de Bach data de 1729 e é musicalmente mais rica e arrebatadora do que a de S.João. Eram interpretadas normalmente na Sexta-Feira santa e contavam a história da Crucificação de Cristo segundo os Evangelhos. Interpretação com instrumentos originais (da época) do Concentus Musicus Wien dirigida por Harnoncourt.



G.B. PERGOLESI – STABAT MATER (HARMONIA MUNDI 1983)

Deixei para o fim aquele que é o meu disco de música clássica favorito. Este foi o disco que me fez aprofundar o meu conhecimento sobre Música Clássica e mais especificamente sobre este estilo particular de música sacra. Trata-se de uma peça para Soprano, Contralto, Cordas e Órgão de uma enorme beleza. Esta versão da Harmonia Mundi foi a minha primeira escolha (tenho mais três) e nela destaco a interpretação de um rapaz soprano, Sebastian Hennig e de Réne Jacobs como Contra-Tenor. Divino.