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Aqui, mas porquê?
segunda-feira, abril 05, 2004
terça-feira, março 30, 2004
MALDITOS
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Estes malditos sindicatos dão cabo da unidade nacional, não é senhor ministro? O senhor já tem as perninhas a tremer, não é? Hum Hum!...Hum Hum!... e Hum Hum!
Estes malditos sindicatos dão cabo da unidade nacional, não é senhor ministro? O senhor já tem as perninhas a tremer, não é? Hum Hum!...Hum Hum!... e Hum Hum!
100 ANOS EDGAR P. JACOBS
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« Faz hoje 100 anos que nasceu, em Bruxelas, Edgar Pierre Jacobs. Desde cedo apaixonado pelo desenho e pela música, parecia que esta iria levar a melhor, mas o Mundo perdeu um barítono, para ganhar um excepcional autor de histórias aos quadradinhos, criador da dupla de aventureiros formada pelo capitão Francis Blake, dos serviços secretos ingleses, e pelo professor Phillip Mortimer, um eminente cientista, cujas aventuras animou de 1946 a 1987, quando a doença de Parkinson o vitimou.» Pedaço retirado do JN. A mesma menção noutra fonte.
« Faz hoje 100 anos que nasceu, em Bruxelas, Edgar Pierre Jacobs. Desde cedo apaixonado pelo desenho e pela música, parecia que esta iria levar a melhor, mas o Mundo perdeu um barítono, para ganhar um excepcional autor de histórias aos quadradinhos, criador da dupla de aventureiros formada pelo capitão Francis Blake, dos serviços secretos ingleses, e pelo professor Phillip Mortimer, um eminente cientista, cujas aventuras animou de 1946 a 1987, quando a doença de Parkinson o vitimou.» Pedaço retirado do JN. A mesma menção noutra fonte.
O VOTO EM BRANCO
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Saramago e Soares convergem e divergem em torno do mesmo ponto. Um pedacinho só:
Soares
«Acima do poder político está o poder da comunicação social e, acima deste, o poder económico», afirmou Mário Soares num debate(…).
«O voto em branco seria o colapso dos partidos, que estariam a ser desconsiderados pelo corpo eleitoral», afirmou Mário Soares, acrescentando que não faria sentido José Saramago apelar a este voto quando ele próprio integra uma lista.
Saramago
(...) o escritor reagiu de imediato: «A minha presença na lista da CDU às eleições europeias é, simplesmente, uma expressão de fidelidade» que não o impede de defender o voto em branco enquanto exercício de «contestação democrática».
A propósito da actual situação da democracia, Saramago lamentou que «os governos sejam comissários políticos do poder económico», o qual é um poder «paralisante».
«O poder económico serve-se de uma democracia como se serviria de uma ditadura»
Tudo aqui.
Saramago e Soares convergem e divergem em torno do mesmo ponto. Um pedacinho só:
Soares
«Acima do poder político está o poder da comunicação social e, acima deste, o poder económico», afirmou Mário Soares num debate(…).
«O voto em branco seria o colapso dos partidos, que estariam a ser desconsiderados pelo corpo eleitoral», afirmou Mário Soares, acrescentando que não faria sentido José Saramago apelar a este voto quando ele próprio integra uma lista.
Saramago
(...) o escritor reagiu de imediato: «A minha presença na lista da CDU às eleições europeias é, simplesmente, uma expressão de fidelidade» que não o impede de defender o voto em branco enquanto exercício de «contestação democrática».
A propósito da actual situação da democracia, Saramago lamentou que «os governos sejam comissários políticos do poder económico», o qual é um poder «paralisante».
«O poder económico serve-se de uma democracia como se serviria de uma ditadura»
Tudo aqui.
ESTADOS UNIDOS FILTRAM CONHECIMENTO CIENTIFICO
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«Esta troca de conhecimento entre a comunidade científica norte-americana e a cubana foi proibida recentemente pela administração Bush. O Departamento do Tesouro aprovou uma norma que multa com US$ 50 000 e até 10 anos de prisão, os editores estadunidenses que publiquem artigos de Cuba, ao considerá-lo uma violação do embargo comercial, segundo seus termos.» Texto Completo.
«Esta troca de conhecimento entre a comunidade científica norte-americana e a cubana foi proibida recentemente pela administração Bush. O Departamento do Tesouro aprovou uma norma que multa com US$ 50 000 e até 10 anos de prisão, os editores estadunidenses que publiquem artigos de Cuba, ao considerá-lo uma violação do embargo comercial, segundo seus termos.» Texto Completo.
TOP PRIORITY MATTERS
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Notícias de Britney. Este é de facto uma tremenda restrição. Problemas de joelhos, não!!!
E se não fosse isto nunca mais ouvia falar de ti:
«Janet Jackson appears on the 'Late Show with David Letterman' March 29, 2004.
Returning to the television network which broadcast her infamous Super Bowl
wardrobe malfunction, Jackson insisted that the flicker of breast 'was an
accident.' Photo by CBS via Reuters»
Notícias de Britney. Este é de facto uma tremenda restrição. Problemas de joelhos, não!!!
E se não fosse isto nunca mais ouvia falar de ti:
«Janet Jackson appears on the 'Late Show with David Letterman' March 29, 2004.
Returning to the television network which broadcast her infamous Super Bowl
wardrobe malfunction, Jackson insisted that the flicker of breast 'was an
accident.' Photo by CBS via Reuters»
INSPIRA, EEEEEEEEEXXXXXPIIIIIIIIRA
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«Australian swimmer Matt Welsh prepares to surface during the semi-finals of the Men's 100m Backstroke on day two of the Australian Olympic trials in Sydney.»
Via France Press
«Australian swimmer Matt Welsh prepares to surface during the semi-finals of the Men's 100m Backstroke on day two of the Australian Olympic trials in Sydney.»
Via France Press
HINO DA LIBERDADE DE HÁ 30 ANOS
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Porque o arquivo do jornal Público torna-se inacessível passado 30 dias, transcrevo esta notícia por inteiro. Por enquanto está nesta ligação, mas só durante 30 dias.
«Quem lá esteve recorda essa noite como um momento único. Nunca, até então, fora tão clara e publicamente anunciada a agonia do regime. O recurso passou por uma afinação de mais de cinco mil vozes entoadas bem alto e sem medo. Naquele dia, 29 de Março de 1974, tornou-se ainda mais clara a força da urgência de liberdade, a dimensão de uma resistência mais forte do que o medo e a cada vez menor capacidade do regime para impedir o inevitável curso da História. As muitas carrinhas da polícia de choque, que se alinharam entre a Rua Eugénio dos Santos e a Avenida da Liberdade, os muitos pides refastelados na sala, a par dos destacados para os bastidores, não foram suficientes para impedir o inevitável. O cronómetro contou a seu desfavor. E eles sabiam-no, apesar de tudo, com ainda maior rigor do que aqueles milhares que nem quiseram pensar no medo. A PIDE sabia mais e sabia melhor do que ninguém. Muito para além, seguramente, daquelas cordas vocais síncronas do Coliseu, daquele coro que estava determinado em não ser o dos caídos.
Passavam alguns minutos da uma da manhã, quando Zeca Afonso, ladeado por todos os intervenientes do concerto, entoou, pela segunda vez nessa noite, o "Grândola Vila Morena", naquele que seria o momento mais empolgante e simbólico da resistência cantada ao regime. Livres como o vento, os pensamentos, e o poema, uniram-se a uma só voz, como um pré-aviso de que a liberdade estava a passar por aqui. E, também, que não iria ficar-se por ali.
Marcado para as 21H30, não pertenceu a uma má organização, nem a um fatídico atraso português, a responsabilidade por apenas mais de meia hora depois, o espectáculo ter começado. Ao mesmo tempo que, à porta do Coliseu, centenas de pessoas sem bilhete tentavam um ingresso (o mercado negro funcionou deficientemente, mas houve quem, mesmo assim, tivesse conseguido por cinquenta escudos bilhetes de vinte) e, sem sucesso, ali se mantiveram, na esperança de um eco vindo do interior, lá dentro, onde a sala cantava, pacientemente, desconfiada, sem certezas, temas do proscrito Zeca. Talvez nada chegasse a acontecer. Nos bastidores, fervilhantes e empolgados, para os protagonistas as decisões estavam por tomar. Caetano de Carvalho, à data sub-secretário de Estado da Informação e Turismo, confrontava-se com a dificuldade em permitir a actuação de alguns dos artistas, censurando letras soletradas quase como suspiros verso a verso, ou parte destas, ao mesmo tempo que percepcionava uma sala expectante e cuja reacção era imprevisível. Simultaneamente, os organizadores discutiam a solução a dar aos versos cortados e aos temas desde logo proibidos.
Uma inevitabilidade
Negociadas inteligentemente, as soluções foram sendo encontradas. A ninguém interessava o confronto inevitável entre uma assistência determinada em fazer daquela uma grande noite e uma pide receosa, consciente de servir um regime com os dias contados. Quem ia para cantar cantou e quem ia para sublinhar refrões e desaguar poemas calados também o fez.
Tradicionalmente, os Prémios da Casa da Imprensa, atribuídos às diferentes expressões artísticas nacionais e aos seus pares, eram entregues durante um espectáculo que nunca perturbou o regime: A Grande Noite do Fado. Mas, em 1971, num acto de rebeldia então insipiente, ousou uma solução alternativa, e, recorrendo a um elenco mais abrangente e consensual, organizou aquilo a que então chamou "Música Nova", reunindo no Coliseu um conjunto de artistas oriundos de diversas sensibilidades musicais, mas, entre os quais, já então, a chamada música de intervenção pontuava. Três anos depois, foi mais audaz. Sopravam ventos de mudança auspiciosos ao ensejo.
Habituados às entrelinhas, ou seja, a semi-dizer a verdade como fuga à censura, os jornalistas, aos quais hoje se chama no melhor inglês "opinion makers", sabiam o que acontecia e o quanto não podiam contar, o que lhes era cortado pela Censura Prévia, e a melhor técnica para, de forma ínvia, o dizerem. Não é de estranhar, portanto, que formassem uma consciência esclarecida relativamente à realidade que não era dita e muito menos explicada. A Casa da Imprensa, uma Mútua na sua génese, estava, assim, particularmente bem colocada para poder ter intervenções culturais.
O I Encontro da Canção Portuguesa, como a direcção decidiu designar o espectáculo que há 30 anos ajudou a tornar ainda mais fracos os já de si frágeis alicerces do regime, foi um acto de consciência corajosa. José Jorge Letria, organizador e interveniente, na sua qualidade de jornalista "baladeiro", como risonhamente recorda o termo ambíguo que Raúl Solnado glosou no "ZipZip" (o programa televisivo que deu tempo de antena à canção de intervenção, embrulhada num formato sui generis destinado a contornar o status quo do marcelismo) recorda a complexidade que então se vivia, referindo: "Havia uma conjuntura muito complexa, porque já se tinha dado o 16 de Março, tinha saído o livro do Spínola 'Portugal e o Futuro' e a guerra colonial era insustentável. Tivemos dúvidas se deveríamos avançar com este projecto, mas a CI acabou por decidir que sim". Destemida e, até, "com alguma inconsciência relativamente às consequências possíveis", pondera hoje Letria, a CI decidiu avançar.
As autorizações, pedidas com a antecedência regulamentar, foram sendo dadas a conta-gotas. A lista dos intervenientes, facultada com o pedido de autorização para a realização do espectáculo, justificado com a entrega dos prémios, e a garantia de que nenhum deles interpretaria qualquer canção cuja letra não fosse previamente autorizada, originou respostas diversas. Os nomes de Zeca Afonso, integralmente proibido de passar na rádio, e de Adriano Correia de Oliveira originaram um pedido expresso a Caetano de Carvalho, com as garantias inerentes de que não profeririam a mais ténue palavra sem autorização. Os nomes de Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Rui Mingas e Teresa Paula Brito, mereceram ofício de autorização, embora o primeiro, tal como os dois últimos (Rui Mingas terá tido justificações claras sobre a sua ausência, tal como Duarte Mendes, militar de carreira) não tenham participado.
Sem incidentes
O concerto decorreu no fio do nervo. A assistência, que sabia ao que ia, correspondeu e entendeu as palavras de Mário Cardoso, então presidente da CI, quando explicou: "Para poder apresentar, esta noite, o espectáculo que se vai seguir, a CI teve de vencer obstáculos de diversa ordem, como não é difícil de calcular". Acrescentando, no fim da sua brevíssima intervenção, o pedido de colaboração: "Para que o espectáculo decorra, todo ele, da melhor forma possível. Essa será, estamos certos, a maneira de todos nós garantirmos a possibilidade de nos encontrarmos aqui, novamente, no próximo ano. Contamos, pois, com a vossa compreensão". O presidente da CI fazia, entre linhas, o pedido para que nada manchasse o sopro de liberdade que uma assistência ao rubro, mas infiltrada de provocadores, desejava ansiosamente.
O conjunto Marcos Resende, sem pejo nem fantasmas, aceitou enfrentar uma plateia sequiosa de Zeca Afonso. Injustamente mal recebido, aceitou estoicamente o facto, porque as suas letras não tinham sido sujeitas ao crivo monossilábico da pide. Carlos Alberto Moniz e Maria Amparo seguiram-se-lhe com a verdade das palavras de Zeca, mal entendidas. Manuel José Soares, pouco conhecido cantor de intervenção, ultrapassou com naturalidade a ausência do apresentador desistente José Nuno Martins, e à pergunta do público complacente "como te chamas?", respondeu com naturalidade à chamada.
Depois, sucedeu-lhe o silêncio. A plateia já tinha percebido, nessa altura, que algo se passava. Nos bastidores, continuavam a negociar-se trovas, poemas e cansaços com os sempre omnipotentes e omnipresentes pides. Os assobios e as palmas sincopadas eram-lhes destinadas. Surgiu, então, Carlos Paredes e Fernando Alvim com "Verdes Anos", um dos momentos mais aclamados da noite. A música, mesmo sem palavras, também diz coisas. Mas os censores sempre primaram por temer apenas os textos. E enquanto continuavam zelosamente a impedir letras nos bastidores, Joaquim Furtado, um bem aventurado e destemido substituto de José Nuno Martins, nomeou os premiados (uns ausentes, outros, mais corajosos, presentes), entre os quais dois se destacaram: a produção do álbum "Sobreviventes", de Sérgio Godinho, um exilado cujas músicas conseguiram entrar no mercado discográfico nacional, e Adelino Gomes, cujo trabalho no programa da Rádio Renascença, "Página Um", lhe valeu um desemprego claramente político.
Depois vieram Ary dos Santos, conotado como o letrista dos Festivais da Canção, inicialmente vaiado e pateado, mas cuja pujança poética, declamatória e pessoal, se impuseram, e mais cinco. Mais cinco mil. A Zeca, cantor proibido e odiado pelo regime, permitiram-lhe o "Grândola". Segundo Manuel Freire, ao qual os versos "voaram pela janela" (como explicou na altura) e optou por um lá, lá, lá, preenchido pela assistência, "ele queria cantar uma música com refrão e cantou o "Grândola", que era um tema pelo qual até tinha pouco apreço, mas que reunia as condições". E depois o "Milho Verde". E novamente o "Grândola", num balancear alentejanamente resistente, com todo o Coliseu a acompanhar.
Não houve represálias, ao contrário daquilo que, segundo Letria, seria de esperar. Talvez a explicação esteja nas palavras de Eugénio Alves, jornalista envolvido na organização: "Foi tudo preparado como era possível, com notícias regulares. Já tudo andava no ar, tinha havido o 16 de Março e até Marcello Caetano parecia despedir-se no seu 'Conversas em Família'. Os militares estavam na plateia e depois de pensarem usar o 'Venham Mais Cinco' como senha, optaram pelo 'Grândola'. Este espectáculo serviu para isso e, talvez igualmente importante, serviu, como diria o Zeca, para animar a malta. Que era o que fazia falta."»
Porque o arquivo do jornal Público torna-se inacessível passado 30 dias, transcrevo esta notícia por inteiro. Por enquanto está nesta ligação, mas só durante 30 dias.
«Quem lá esteve recorda essa noite como um momento único. Nunca, até então, fora tão clara e publicamente anunciada a agonia do regime. O recurso passou por uma afinação de mais de cinco mil vozes entoadas bem alto e sem medo. Naquele dia, 29 de Março de 1974, tornou-se ainda mais clara a força da urgência de liberdade, a dimensão de uma resistência mais forte do que o medo e a cada vez menor capacidade do regime para impedir o inevitável curso da História. As muitas carrinhas da polícia de choque, que se alinharam entre a Rua Eugénio dos Santos e a Avenida da Liberdade, os muitos pides refastelados na sala, a par dos destacados para os bastidores, não foram suficientes para impedir o inevitável. O cronómetro contou a seu desfavor. E eles sabiam-no, apesar de tudo, com ainda maior rigor do que aqueles milhares que nem quiseram pensar no medo. A PIDE sabia mais e sabia melhor do que ninguém. Muito para além, seguramente, daquelas cordas vocais síncronas do Coliseu, daquele coro que estava determinado em não ser o dos caídos.
Passavam alguns minutos da uma da manhã, quando Zeca Afonso, ladeado por todos os intervenientes do concerto, entoou, pela segunda vez nessa noite, o "Grândola Vila Morena", naquele que seria o momento mais empolgante e simbólico da resistência cantada ao regime. Livres como o vento, os pensamentos, e o poema, uniram-se a uma só voz, como um pré-aviso de que a liberdade estava a passar por aqui. E, também, que não iria ficar-se por ali.
Marcado para as 21H30, não pertenceu a uma má organização, nem a um fatídico atraso português, a responsabilidade por apenas mais de meia hora depois, o espectáculo ter começado. Ao mesmo tempo que, à porta do Coliseu, centenas de pessoas sem bilhete tentavam um ingresso (o mercado negro funcionou deficientemente, mas houve quem, mesmo assim, tivesse conseguido por cinquenta escudos bilhetes de vinte) e, sem sucesso, ali se mantiveram, na esperança de um eco vindo do interior, lá dentro, onde a sala cantava, pacientemente, desconfiada, sem certezas, temas do proscrito Zeca. Talvez nada chegasse a acontecer. Nos bastidores, fervilhantes e empolgados, para os protagonistas as decisões estavam por tomar. Caetano de Carvalho, à data sub-secretário de Estado da Informação e Turismo, confrontava-se com a dificuldade em permitir a actuação de alguns dos artistas, censurando letras soletradas quase como suspiros verso a verso, ou parte destas, ao mesmo tempo que percepcionava uma sala expectante e cuja reacção era imprevisível. Simultaneamente, os organizadores discutiam a solução a dar aos versos cortados e aos temas desde logo proibidos.
Uma inevitabilidade
Negociadas inteligentemente, as soluções foram sendo encontradas. A ninguém interessava o confronto inevitável entre uma assistência determinada em fazer daquela uma grande noite e uma pide receosa, consciente de servir um regime com os dias contados. Quem ia para cantar cantou e quem ia para sublinhar refrões e desaguar poemas calados também o fez.
Tradicionalmente, os Prémios da Casa da Imprensa, atribuídos às diferentes expressões artísticas nacionais e aos seus pares, eram entregues durante um espectáculo que nunca perturbou o regime: A Grande Noite do Fado. Mas, em 1971, num acto de rebeldia então insipiente, ousou uma solução alternativa, e, recorrendo a um elenco mais abrangente e consensual, organizou aquilo a que então chamou "Música Nova", reunindo no Coliseu um conjunto de artistas oriundos de diversas sensibilidades musicais, mas, entre os quais, já então, a chamada música de intervenção pontuava. Três anos depois, foi mais audaz. Sopravam ventos de mudança auspiciosos ao ensejo.
Habituados às entrelinhas, ou seja, a semi-dizer a verdade como fuga à censura, os jornalistas, aos quais hoje se chama no melhor inglês "opinion makers", sabiam o que acontecia e o quanto não podiam contar, o que lhes era cortado pela Censura Prévia, e a melhor técnica para, de forma ínvia, o dizerem. Não é de estranhar, portanto, que formassem uma consciência esclarecida relativamente à realidade que não era dita e muito menos explicada. A Casa da Imprensa, uma Mútua na sua génese, estava, assim, particularmente bem colocada para poder ter intervenções culturais.
O I Encontro da Canção Portuguesa, como a direcção decidiu designar o espectáculo que há 30 anos ajudou a tornar ainda mais fracos os já de si frágeis alicerces do regime, foi um acto de consciência corajosa. José Jorge Letria, organizador e interveniente, na sua qualidade de jornalista "baladeiro", como risonhamente recorda o termo ambíguo que Raúl Solnado glosou no "ZipZip" (o programa televisivo que deu tempo de antena à canção de intervenção, embrulhada num formato sui generis destinado a contornar o status quo do marcelismo) recorda a complexidade que então se vivia, referindo: "Havia uma conjuntura muito complexa, porque já se tinha dado o 16 de Março, tinha saído o livro do Spínola 'Portugal e o Futuro' e a guerra colonial era insustentável. Tivemos dúvidas se deveríamos avançar com este projecto, mas a CI acabou por decidir que sim". Destemida e, até, "com alguma inconsciência relativamente às consequências possíveis", pondera hoje Letria, a CI decidiu avançar.
As autorizações, pedidas com a antecedência regulamentar, foram sendo dadas a conta-gotas. A lista dos intervenientes, facultada com o pedido de autorização para a realização do espectáculo, justificado com a entrega dos prémios, e a garantia de que nenhum deles interpretaria qualquer canção cuja letra não fosse previamente autorizada, originou respostas diversas. Os nomes de Zeca Afonso, integralmente proibido de passar na rádio, e de Adriano Correia de Oliveira originaram um pedido expresso a Caetano de Carvalho, com as garantias inerentes de que não profeririam a mais ténue palavra sem autorização. Os nomes de Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Rui Mingas e Teresa Paula Brito, mereceram ofício de autorização, embora o primeiro, tal como os dois últimos (Rui Mingas terá tido justificações claras sobre a sua ausência, tal como Duarte Mendes, militar de carreira) não tenham participado.
Sem incidentes
O concerto decorreu no fio do nervo. A assistência, que sabia ao que ia, correspondeu e entendeu as palavras de Mário Cardoso, então presidente da CI, quando explicou: "Para poder apresentar, esta noite, o espectáculo que se vai seguir, a CI teve de vencer obstáculos de diversa ordem, como não é difícil de calcular". Acrescentando, no fim da sua brevíssima intervenção, o pedido de colaboração: "Para que o espectáculo decorra, todo ele, da melhor forma possível. Essa será, estamos certos, a maneira de todos nós garantirmos a possibilidade de nos encontrarmos aqui, novamente, no próximo ano. Contamos, pois, com a vossa compreensão". O presidente da CI fazia, entre linhas, o pedido para que nada manchasse o sopro de liberdade que uma assistência ao rubro, mas infiltrada de provocadores, desejava ansiosamente.
O conjunto Marcos Resende, sem pejo nem fantasmas, aceitou enfrentar uma plateia sequiosa de Zeca Afonso. Injustamente mal recebido, aceitou estoicamente o facto, porque as suas letras não tinham sido sujeitas ao crivo monossilábico da pide. Carlos Alberto Moniz e Maria Amparo seguiram-se-lhe com a verdade das palavras de Zeca, mal entendidas. Manuel José Soares, pouco conhecido cantor de intervenção, ultrapassou com naturalidade a ausência do apresentador desistente José Nuno Martins, e à pergunta do público complacente "como te chamas?", respondeu com naturalidade à chamada.
Depois, sucedeu-lhe o silêncio. A plateia já tinha percebido, nessa altura, que algo se passava. Nos bastidores, continuavam a negociar-se trovas, poemas e cansaços com os sempre omnipotentes e omnipresentes pides. Os assobios e as palmas sincopadas eram-lhes destinadas. Surgiu, então, Carlos Paredes e Fernando Alvim com "Verdes Anos", um dos momentos mais aclamados da noite. A música, mesmo sem palavras, também diz coisas. Mas os censores sempre primaram por temer apenas os textos. E enquanto continuavam zelosamente a impedir letras nos bastidores, Joaquim Furtado, um bem aventurado e destemido substituto de José Nuno Martins, nomeou os premiados (uns ausentes, outros, mais corajosos, presentes), entre os quais dois se destacaram: a produção do álbum "Sobreviventes", de Sérgio Godinho, um exilado cujas músicas conseguiram entrar no mercado discográfico nacional, e Adelino Gomes, cujo trabalho no programa da Rádio Renascença, "Página Um", lhe valeu um desemprego claramente político.
Depois vieram Ary dos Santos, conotado como o letrista dos Festivais da Canção, inicialmente vaiado e pateado, mas cuja pujança poética, declamatória e pessoal, se impuseram, e mais cinco. Mais cinco mil. A Zeca, cantor proibido e odiado pelo regime, permitiram-lhe o "Grândola". Segundo Manuel Freire, ao qual os versos "voaram pela janela" (como explicou na altura) e optou por um lá, lá, lá, preenchido pela assistência, "ele queria cantar uma música com refrão e cantou o "Grândola", que era um tema pelo qual até tinha pouco apreço, mas que reunia as condições". E depois o "Milho Verde". E novamente o "Grândola", num balancear alentejanamente resistente, com todo o Coliseu a acompanhar.
Não houve represálias, ao contrário daquilo que, segundo Letria, seria de esperar. Talvez a explicação esteja nas palavras de Eugénio Alves, jornalista envolvido na organização: "Foi tudo preparado como era possível, com notícias regulares. Já tudo andava no ar, tinha havido o 16 de Março e até Marcello Caetano parecia despedir-se no seu 'Conversas em Família'. Os militares estavam na plateia e depois de pensarem usar o 'Venham Mais Cinco' como senha, optaram pelo 'Grândola'. Este espectáculo serviu para isso e, talvez igualmente importante, serviu, como diria o Zeca, para animar a malta. Que era o que fazia falta."»
PODEMOS ACREDITAR?
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Podemos acreditar que as autoridades Moçambicanas não estão de braços cruzados? Esta notícia aqui, e o desenvolvimento do caso aqui.
Podemos acreditar que as autoridades Moçambicanas não estão de braços cruzados? Esta notícia aqui, e o desenvolvimento do caso aqui.
MACH 7
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«O aparelho, não pilotado, foi largado de um B-52 e atingiu os 7700 quilómetros/hora
Um avião hipersónico da NASA fez ontem um voo experimental que ficará na história do transporte aéreo e espacial ao viajar, por breves segundos, a 7700 quilómetros por hora (Mach 7), uma velocidade sete vezes superior à do som.»
A missão do X-43 também aqui.
«O aparelho, não pilotado, foi largado de um B-52 e atingiu os 7700 quilómetros/hora
Um avião hipersónico da NASA fez ontem um voo experimental que ficará na história do transporte aéreo e espacial ao viajar, por breves segundos, a 7700 quilómetros por hora (Mach 7), uma velocidade sete vezes superior à do som.»
A missão do X-43 também aqui.
segunda-feira, março 29, 2004
EFEITOS COLATERAIS
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Os efeitos colaterais do 11 de Março atingiram a Unidade Fabril da Yazaki Saltano em Ovar. Falso alarme que resultou a numa longa paragem. O autor da chamada anónima já foi identificado. Mesmo aqui.
Os efeitos colaterais do 11 de Março atingiram a Unidade Fabril da Yazaki Saltano em Ovar. Falso alarme que resultou a numa longa paragem. O autor da chamada anónima já foi identificado. Mesmo aqui.
sábado, março 27, 2004
30, 35, 36, 40 TANTO FAZ
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No dia 27 de Março de 1968, Gagarin e o co-piloto Seregin morreram tragicamente no seu MIG-15. Treinavam para o proximo projecto: tripular a primeira estação espacial.
No dia 27 de Março de 1968, Gagarin e o co-piloto Seregin morreram tragicamente no seu MIG-15. Treinavam para o proximo projecto: tripular a primeira estação espacial.
sexta-feira, março 26, 2004
quinta-feira, março 25, 2004
SONS DA PRIMAVERA
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GOMO – BEST OF (2004 UNIVERSAL)
«Mas que grande lufada de ar fresco é esta estreia do rapaz Paulo Gouveia nas lides discográficas! Ironicamente intitulado de “ Best of “ este primeiro registo do artista Gomo inclui alguns temas que já há algum tempo tinham sido compostos e que passavam em algumas rádios portuguesas (particularmente na Antena 3) . São 12 temas interpretados com muita boa disposição numa Pop electrónica suave cantados em inglês com alguns momentos de brilhantismo: “ Feeling Alive “, “ Santa’s Depression “ e “ November 6th “ são verdadeiros Hit singles que podiam fazer parte de um “ Odelay “, um dos melhores discos dos anos 90. Destaque ainda para um excelente design da capa e inlay deste CD. Só uma nota final: o preço deste disco ronda os 14 € e é caso para perguntar porque é que a Universal não põe em prática a tão esperada rebaixa de 20 % anunciada ainda no final do ano passado e que demora a acontecer, limitando-se a reduzir somente nalguns CDS como é o caso deste, mantendo-se outros ainda em proibitivos 19 e 20 €?. Enquanto não chega o 25 de Abril à indústria discográfica desfrutem este suculento Gomo.» Texto do Consultor de Música "ÓlhÓrebÓque".

GOMO – BEST OF (2004 UNIVERSAL)
«Mas que grande lufada de ar fresco é esta estreia do rapaz Paulo Gouveia nas lides discográficas! Ironicamente intitulado de “ Best of “ este primeiro registo do artista Gomo inclui alguns temas que já há algum tempo tinham sido compostos e que passavam em algumas rádios portuguesas (particularmente na Antena 3) . São 12 temas interpretados com muita boa disposição numa Pop electrónica suave cantados em inglês com alguns momentos de brilhantismo: “ Feeling Alive “, “ Santa’s Depression “ e “ November 6th “ são verdadeiros Hit singles que podiam fazer parte de um “ Odelay “, um dos melhores discos dos anos 90. Destaque ainda para um excelente design da capa e inlay deste CD. Só uma nota final: o preço deste disco ronda os 14 € e é caso para perguntar porque é que a Universal não põe em prática a tão esperada rebaixa de 20 % anunciada ainda no final do ano passado e que demora a acontecer, limitando-se a reduzir somente nalguns CDS como é o caso deste, mantendo-se outros ainda em proibitivos 19 e 20 €?. Enquanto não chega o 25 de Abril à indústria discográfica desfrutem este suculento Gomo.» Texto do Consultor de Música "ÓlhÓrebÓque".
21 GRAMAS
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Também gostei muito deste filme. Porquê? Por vários motivos, primeiro a sequência da acção do filme não foi subjugada a uma linha contínua, lá tivemos nós que juntar tudo tipo peças de Puzzle. Enquanto o filme se desenrolava, por diversos momentos julgámos mentalmente “Ah! Já apanhei o fio à meada” mas não, só no final conseguimos estabelecer alguma ordem. Mesmo assim fiquei com uma ponta de filme de fora…Christina na piscina…ou terá sido o final?
Bem, a forma como o filme se desenrola levou-me à memória Pulp Fiction, só que 21 Grams não é tão disperso em termos de personagens. Este centra-se fundamentalmente em 3: Paul, Jack Jordan, e Christina, para além de ser mais emocional.
Benecio Del Toro é um dos meus actores preferidos. Quanto a Sean Penn, preferi esta performance há do outro filme, talvez por sentir uma maior empatia com a índole deste papel. Naomi Watts exprimiu toda a força/fragilidade da sua personagem, julgo ter estado irrepreensível.
21 Gramas, um filme duro, muito duro, mas que me provocou "muita sinapse". Saí da sala com a impressão que a vida não vale meia dúzia de moedas de 1/4 de Dólar.
Também gostei muito deste filme. Porquê? Por vários motivos, primeiro a sequência da acção do filme não foi subjugada a uma linha contínua, lá tivemos nós que juntar tudo tipo peças de Puzzle. Enquanto o filme se desenrolava, por diversos momentos julgámos mentalmente “Ah! Já apanhei o fio à meada” mas não, só no final conseguimos estabelecer alguma ordem. Mesmo assim fiquei com uma ponta de filme de fora…Christina na piscina…ou terá sido o final?
Bem, a forma como o filme se desenrola levou-me à memória Pulp Fiction, só que 21 Grams não é tão disperso em termos de personagens. Este centra-se fundamentalmente em 3: Paul, Jack Jordan, e Christina, para além de ser mais emocional.
Benecio Del Toro é um dos meus actores preferidos. Quanto a Sean Penn, preferi esta performance há do outro filme, talvez por sentir uma maior empatia com a índole deste papel. Naomi Watts exprimiu toda a força/fragilidade da sua personagem, julgo ter estado irrepreensível.
21 Gramas, um filme duro, muito duro, mas que me provocou "muita sinapse". Saí da sala com a impressão que a vida não vale meia dúzia de moedas de 1/4 de Dólar.
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