sexta-feira, abril 23, 2004

August Sander

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August Sander nasceu em Herdorf, Alemanha, em 1876. Abandonou as minas, local onde trabalhou durante sete anos, para se dedicar ao estudo da pintura. Estudou em Dresden entre 1901 e 1902, com a finalidade de melhorar as suas capacidades artísticas, para as poder aplicar à fotografia.

O trabalho mais importante da sua vida – Pessoas do Séc. XX – teve início em 1910, prolongando-se durante cerca de 40 anos. Neste trabalho, o fotógrafo criou uma espécie de biblioteca de retratos do povo Alemão, fotografando para isso o mais diversificado tipo de pessoas: mineiro, guarda-florestal, pasteleiro, estudante, funcionário, industrial, entre muitos outros.

August Sander é considerado o pai da fotografia moderna Alemã. É necessário contudo não esquecer o contexto favorável, quando Berlim era um dos centros de criação artística europeu, onde havia movimentos tão importantes como a Bauhaus.

Sander morreu em 1964 em Colónia.

WEBLOGS OU BLOGS, APRESENTO A BLOGOSFERA (5.4.2.) – CATEGORIAS DE BLOGS

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Noutro tipo de categoria estão os weblogs diários e os analíticos. Os weblogs diários descrevem o quotidiano de uma ou váriaspessoas e são habitualmente visitados por um grupo muito restrito de pessoas, quase sempre conhecidos, amigos ou parentes. Uma modalidade muito à maneira de quem descreve as suas aventuras juvenis. Os analíticos são os mais populares porque explicitam as análises, reflexões, interpretações da conjuntura Nacional e Internacional. Este foi o meio que permitiu a expansão do jornalismo amador.
O 11 de Setembro de 2001 foi o factor crucial para a explosão desta categoria.

Ainda hoje escrevo sobre os Fotoblogs, uma categoria muito do meu agrado, e que fiz agradáveis descobertas.

WEBLOGS OU BLOGS, APRESENTO A BLOGOSFERA (5.4.1.) – CATEGORIAS DE BLOGS

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A partir deste momento esta saga pretende caracterizar ou categorizar ou catalogar alguns tipos de blogs a nível de formato. Numa primeira caracterização surgem os blogs individuais e os colectivos, e a realçar nestes grupos é o facto de inicialmente os weblogs serem maioritariamente publicados por um só autor. Só à posteriori surgiram os weblogs colectivos, que com maior facilidade garantem permanente actualização, "isperto pá"!!

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA

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Esta troca de posts com Manuel lembrar-me uma célebre entrevista que a actual Pivot da TVI fez ao ícone do futebol português de há uns 10, 15 anos atrás, a propósito da sua contratação pelo SLB.

- Paulo Futre, quanto vai ganhar?
- Manuela e tu, quanto ganhas?
- Cof, cof, 300, cof, cof, Mil, cof, cof, Escudos mensais.

Isto é, em ambas as situações fazem-se perguntas indiscretas, e o interlocutor que gera o diálogo engasga-se. O Manuel que se tranquilize porque eu não vou perguntar quanto ganha, e também não queria saber em quem vota, simplesmente indignei-me com tanta indecisão, para além de achar que restavam poucas alternativas há esquerda. Contudo, vou responder à tua pergunta, e cof, cof, as minhas raízes cof,cof, não me permitem, cof, cof, transpor o I para a direita do segundo X cof, cof, ...traduzindo em miudos não consigo passar do sec. XIX para o sec. XXI.
De facto não tenho essa visão de voto útil ou estratégico ou de quem apresentar melhor programa eleitoral. O meu sentido de voto orienta-se pelas linhas mestras de um Partido. Tenho a predisposição para acreditar em partidos em que a sua vertente social parte do dogma e não seja apenas recurso de campanha eleitoral - eu sei que este é um argumento fácil de rebater mas foi por este motivo que atribuí o titulo ao actual post. Não suporto partidos que ostentam nas suas siglas “Sociais Democracias” e “Socialismos” e praticam o politicas perfeitamente Neo-Liberais.
Por isso e meu voto é sensível a questões como: amarfanhar Pacto de Estabilidade com um Pacto de Progresso Social e de Emprego, o qual dá prioridade aos critérios sociais, ao emprego com direitos, ao relançamento dos investimentos públicos, designadamente nas ferrovias, na saúde, ambiente, formação, educação e investigação científica (não estou a fazer propaganda política, garanto). O meu voto também é sensível à tentativa de desmascarar a falsas vitórias no sector da agricultura exaltadas pelo actual governo, e à preocupação da perca de soberania das águas territoriais que dificulta a tarefa da precária frota pesqueira nacional, embora tenha consciência que a exclusividade das 200 milhas não é suficiente para colocar no mercado o peixe a preços competitivos,...pois se os submarinos não pescassem dava cá um jeito do caraças!!!

Só para acabar acho importante sublinhar que o meu sentido de voto não expressa o sentido de voto da malta do Nelsu. Eu bem tento evangelizar mas está difícil.

quinta-feira, abril 22, 2004

GUERRILHEIROS DAS PALAVRAS - IV

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José Mário Branco é um autor, compositor e intérprete, que, na linha de José Afonso, renovou a canção portuguesa nos anos 60 e 70.
José Mário nasce no Porto, em Maio de 1942, revelando, desde cedo, talento para a música. Envolve-se, mais tarde, em inúmeros projectos, não só na área da música, como no teatro, cinema, acção cultural e intervenção política. O seu percurso artístico esteve, aliás, sempre ligado à consciência e acção revolucionária portuguesa.
Exila-se em França entre 1963 e 1974, fundando aí a cooperativa cultural Groupe Organon. Em 1965, cria o primeiro grupo de teatro amador português em França, o Grupo de Teatro da Liga, e dirige ainda a primeira experiência de pré-animação cultural da Ville Nouvelle de Saint-Quentin-en-Yvelines, onde cria e interpreta vários espectáculos. Ainda no exílio, dá uma série de recitais um pouco por toda a Europa. José Mário compõe e interpreta, também, música para muitas peças de teatro e filmes, tanto em França como em Portugal. Pelo meio, edita o seu álbum de estreia "Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades", em 1971.
Em 1974, regressa ao nosso país e funda o Grupo de Acção Cultural, que realiza mais de 500 espectáculos por Portugal e pelo estrangeiro.
Em 1977, integra a companhia de Teatro da Comuna, onde permanece como músico e actor até 1979, destacando-se como co-criador de espectáculos como "A Mãe" e "Homem Morto, Homem Posto", de Bertold Brecht. Após esta experiência, funda o Teatro do Mundo, onde tem uma acção de relevo.
Embora esteja sem gravar nesta época, nunca se afasta demasiado da música e recebe em 1980, o prémio da crítica para a melhor orquestração do Festival RTP da Canção, com o tema "Página Em Branco", repetindo o feito em 1981 com a canção "Tanto E Tão Pouco".
Em 1983 fundou, juntamente com outros artistas, a União Portuguesa de Artistas e Variedades, da qual se afasta em 1993.
Em 1994, realiza o espectáculo "Maio Maduro Maio", onde, juntamente com Amélia Muge e João Afonso, interpreta temas de José Afonso, numa actuação que recebe a aclamação do público, quer em Portugal, quer no estrangeiro, e que resulta na edição, no ano seguinte, de um CD duplo.
Em 1997, estreou no Centro Cultural de Belém novo espectáculo, que contou com a participação dos músicos José Peixoto, Carlos Bica, Rui Júnior e João Pires, e ainda dos Tetvocal. Após as apresentações no Coliseu do Porto, Teatro da Trindade e Teatro Gil Vicente, é editado o duplo CD: "José Mário Branco - Ao Vivo em 1997".
No ano seguinte, além de continuar a apresentar-se ao vivo no nosso país, produz os álbuns "Na Linha Da Vida", de Camané, e "Taco A Taco", de Amélia Muge. Recebe ainda o Prémio Carreira do jornal Blitz. E o ano não acaba sem que José Mário participe no Festival de Outono no Teatro Camões, realizando ainda um show em parceria com Jean Sommer (seu companheiro de exílio e autor da música do tema "Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades").
Em seguida, prepara o espectáculo "As Margens Da Alegria", inserido nas Comemorações do 25º aniversário do 25 de Abril, que contou com as colaborações de Amélia Muge, Gaiteiros de Lisboa, Canto Nono, O Ó Que Som Tem e Orquestra Tocá Rufar.



Discografia

A biografia veio daqui.

O BIGODE

Hoje ao ver uma reportagem sobre uma manifestação da nossa polícia reparei no seguinte: Enquanto o que tinha o “dom da palavra” discursava, em pano de fundo estavam quatro camaradas. Dos cinco em cenário, três tinham bigode. E isto, meus amigos é notícia! Fazendo umas contas de cabeça e extrapolando chegamos ao redondo número de 60…60% da bófia tem bigode! E farfalhudo! Já estou a ver as manchetes de amanhã. “Durão Barroso envia reforço alimentar para as tropas no Iraque. Ao que apurámos 30% das vitaminas alojam-se nos bigodes dos nossos compatriotas impedindo-os assim de manter uma alimentação equilibrada”, ou ainda “Chefe Silva atingido por míssil escapou ileso – O seu avolumado bigode amorteceu o impacto evitando assim o que poderia ter sido uma catástrofe!"

quarta-feira, abril 21, 2004

GUERRILHEIROS DAS PALAVRAS - III

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"Considero-me legítimo herdeiro de Edmundo Bettencourt e de Menano, que são os homens do fado de Coimbra. Toda a grande música que se faz hoje e que está preocupada em não abandonar a matriz da música tradicional começou em Coimbra, dentro das universidades. A que nasceu fora das universidades desembocou numa desgraça, mas isso é outra coisa, é música de feira". O autor destas palavras é Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias, nascido em Novembro de 1948 em pleno Oceano Atlântico, a bordo do navio Pátria que navegava entre Portugal e Angola.
Fausto, por muitos considerado o mais importante compositor vivo da música popular portuguesa, teve um início de carreira recheado de indecisões. Estudante do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina (ISCSPU), é em plena vida académica que grava o primeiro 45 rotações, a que se segue o álbum homónimo, Fausto.
Em declarações proferidas à revista Flama em 1970, Fausto hesita ainda na continuidade do trabalho musical: "nunca acreditei muito na minha voz, nem ainda hoje acredito. Já pensei várias vezes na data em que vou largar "isto". (...) Dizem-me que devo continuar, mas não sei bem se será até no próximo mês de Junho que porei o ponto final. Depois, cantarei apenas para os amigos e para mim próprio".
A realidade dos factos (e dos anos entretanto passados) encarregou-se de desfazer as dúvidas do então jovem estudante. Eleito presidente da direcção da Associação dos Estudantes do ISCSPU, Fausto viu o seu nome não ser homologado no cargo pelo Ministério da Educação, em consequência de um certo comprometimento político da sua actividade musical. E, como castigo, é chamado a cumprir o serviço militar, embora possuísse todas as condições para ter um adiamento. Em resultado, Fausto recusa-se a comparecer no quartel e é considerado refractário.
Vivendo quase clandestino, Fausto faz grande parte das gravações do seu segundo LP, P'ró Que Der e Vier, em Madrid. Nele, inclui letras de Eugênio de Andrade e Mário Henrique Leiria, num todo de características políticas muito acentuadas.
Com o 25 de Abril, Fausto acompanha a actividade frenética dos cantores de resistência ao regime deposto. É arranjador e produtor em Coro dos Tribunais (1974), Enquanto Há Força (1978) e Como se Fora seu Filho (1983), de José Afonso, em Que Nunca Mais (1975) e Cantigas Portuguesas (1980), de Adriano Correia de Oliveira.
É um dos fundadores do Colectivo de Acção Cultural - CAC, com os artistas já referidos e José Mário Branco, Luís Cília, Tino Flores e outros. E, em 1975, edita o seu segundo LP, Um Beco Com Saída.
Após o período mais quente da revolução, Fausto assiste ao que considera ser uma invasão do nosso país pela música anglo-saxónica. Reage: "sempre me opus e resisti à tirania do rock e do pop em Portugal pelo que isso representa de normalização da música". E dá a sua própria resposta, gravando em 1977 Madrugada dos Trapeiros, um dos discos fundadores da nova música popular portuguesa.
A sua crescente importância no panorama musical da época mede-se pelo convite inédito feito por José Afonso para comporem em conjunto, de que resultam os temas A Acupunctura em Odemira e Eu, o Povo. Por essa altura, Fausto começa a interessar-se pela temática dos descobrimentos portugueses. O seu álbum Histórias de Viageiros (1979) é o primeiro reflexo deste novo rumo na obra do autor. Uma espécie de prefácio do grande momento da sua obra, Por Este Rio Acima.
Em Por Este Rio Acima (1982), e a partir das crónicas de Fernão Mendes Pinto, o principal cronista dos descobrimentos, Fausto traça um retrato da sociedade portuguesa, procurando os pontos de confluência entre a época das naus e caravelas e os dias de hoje.
A esse propósito, o autor afirma: "Canto o lado do povo anónimo que ia nos barcos, não o dos heróis. Canto o outro lado da História, o lado mais humano. Não falo do passado. Falo da actualidade e curiosamente há pontos em comum".
O disco, duplo, conhece um êxito sem precedentes na carreira do autor e dá origem a um novo ciclo da música popular portuguesa. Houve quem dissesse, acerca de Por Este Rio Acima, que era impossível o autor voltar a fazer melhor. Fausto não se conforma: "Habituei-me à presença incómoda dessa obra. Mas acuso o espírito conservador dessas pessoas. Quem nos amarra não é mais que uma geração, as outras descobrem coisas novas".
Convidado pela editora a prosseguir o tema, Fausto impõe um período de trabalho de dez anos entre cada registo da trilogia da diáspora marítima portuguesa. Na realidade, entre Por Este Rio Acima e Crónicas da Terra Ardente (1994) distam doze anos.
Em 1985 editará O Despertar dos Alquimistas, grande painel sonoro onde é central o tema da realidade e da utopia. Dois anos depois, com Para Além das Cordilheiras, Fausto percorre uma estrada musical entre Lisboa e Berlim, numa viagem simbólica do regresso de Portugal à Europa. Com A Preto e Branco (1989), as canções africanas da sua adolescência são de novo interpretadas, num reencontro com a música angolana.
Em 1996, Fausto sintetizou, numa antologia, os temas fundamentais da sua obra. No álbum duplo Atrás dos Tempos Vêm Tempos, 27 das suas principais canções são apresentadas ao público regravadas e rearranjadas, com a colaboração de músicos da nova geração. O público reagiu positivamente e o álbum atingiu vendas superiores a 20 mil exemplares, sendo Disco de Ouro.
O país reconhece, em 1997, a importância de Fausto, através da Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses, que o convida para dar um concerto comemorativo dos 500 anos da partida de Vasco da Gama para a India, a 8 de Julho desse ano.

Extraído daqui


PEQUENO ANÚNCIO!

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Para uns a noite de 24 para 25 foi alegre, para outros, nem por isso.
Para quem quiser, na noite de 24 para 25 há uma noite de música diferente no Bar Clandestino, com o dj João Nuno.
Quem quiser ir vai, quem não quiser, não vai.
Eu Vou!!!!!
A não perder!!!!!

FUTEBOL - PARA DESENJOAR!!!!

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Queridos leitores
Hoje, daqui a pouco mais de uma hora, joga-se a 1ª mão da meia final da Champeons League, entre o Deportivo da Corunha e o Futebol Clube do Porto.
Para ajuda-los neste momento de dúvida, quero apenas dizer que o nosso País começou por ser a Galiza. Depois, por uma zanga entre D. Afonso e D. Teresa, é que ficamos divididos dos Galegos.
Como tal, para aqueles que se sentem mal por ter de apoiar o FêCêPê, não existe mal nenhum em apoiar o Corunha. Não fora D.Afonso e eramos todos do mesmo País.
Por isso:
VIVA O DEPOR!!!!!

terça-feira, abril 20, 2004

GUERRILHEIROS DAS PALAVRAS - II

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Foi, juntamente com José Afonso, o iniciador do movimento de renovação da música em Portugal que ficaria conhecido como "balada". Adriano será um dos criadores da nova matriz que domina criativamente a partir de meados da década de sessenta.
É ele mesmo que, consciente da importância do que estava a nascer, afirma à Flama, em Julho de 1969 "O que eu pretendo fazer é, honestamente, tentar um caminho, que não seja o único, de renovar a música portuguesa, dando às pessoas algo mais que as "chachadas" alienatórias que por aí se cantam."
Sem formação musical específica, Adriano Correia de Oliveira interpretou, contudo, algumas das mais importantes canções contemporâneas, entre as quais aquela que mais o celebrizou, Trova do Vento que Passa.
De personalidade exigente e rigorosa, Adriano cantou os melhores poetas (ele é, por exemplo, o grande intérprete de Manuel Alegre). Eleitos os poemas, seguia-se um exaustivo trabalho de composição ("Algumas das melodias que canto foram duramente construídas").
O seu "corpo grande, desenvolto, metido numas calças e num camisolão" ficou conhecido de todo o país na primeira emissão do Zip-Zip. É imediatamente convidado para fazer um TV Clube, que dedicava cada emissão a um único intérprete. Apresentou oito canções, sendo uma censurada. Recusou fazer o programa.
É, aliás, assinalável a intransigência com que enfrentou a Censura e os diversos poderes do anterior regime.
Determinante na formação de toda uma geração de compositores e intérpretes, Adriano Correia de Oliveira empenhou-se no combate político e cultural, antes e depois do 25 de Abril, até à sua morte, em 1982. Permanece como um dos artistas mais importantes da segunda metade deste século.



MARCOS PRINCIPAIS DA CARREIRA:

1959 Vai para Coimbra, estudar Direito. Liga-se aos meios fadistas da Academia.
1960 Primeiro disco: o EP Noites de Coimbra. Seguem-se outros três EP's. Estes quatro trabalhos são reeditados em 1973, no álbum Fados de Coimbra.
1964 Viagem a Paris. Conhece Luís Cília. Envolve-se cada vez mais no combate político.
1967 Grava, com o seu nome no título genérico, o álbum hoje disponível como Trova do Vento Que Passa.
1969 É editado O Canto e as Armas, álbum quase todo dedicado à poesia de Manuel Alegre.
1970 Sai Cantaremos, com o histórico tema Cantar de Emigração.
1971 Inteiramente musicado por José Niza, é editado o célebre álbum Gente de Aqui e de Agora.
1975 Sobre poemas de Manuuel da Fonseca, edita Que Nunca Mais. Desenvolve intensa actividade de agitação política e de animação cultural.
1979 É fundador da cooperativa Cantarabril, de onde é obrigado a sair dois anos depois, num processo que lhe causou bastante sofrimento.
1980 Edita Cantigas Portuguesas. 1982 Morre aos 40 anos.

Obrigado a estes e aqueles !

ESTADO A QUE CHEGÁMOS

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«Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os sociais, os corporativos e o Estado a que chegámos.» Palavras do Capitão Salgueiro Maia. As fotografias são uma cortesia do Grão de Areia.Oh!Oh!

ÓlhÓrebÓque JÁ VISTE?

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ÓlhÓrebÓquejÁvÍsteÉsta? ÓlhaÉstaletradosmÃomÓrta.

OUÇAM GOMO

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Gomo e o seu castelo altaneiro.

ENQUANTO A FORMIGA BULE (2)

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Depois há sempre um tipo mais esperto que os outros todos. Este post é um prémio ao umbiguismo do autor do AL.

ENQUANTO A FORMIGA BULE

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Enquanto a esquerda anda entretida com R’s e outras questões de pequena monta temos gente que se preocupa com problemas de fundo, e há inclusive quem dê conselhos ao primeiro-ministro, «Dr. José Manuel, porque não começar já por aqui?» Continuem a trabalhar porque a retoma está já aí ao virar da esquina.

É MELHOR É!

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É melhor apanhá-los senão pode ser tarde.

QUEM NÃO PODE SAI DE CIMA

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A retirada das tropas portuguesas do Iraque teria o seu significado. Contudo, para a segurança dos iraquianos e afins o seu valor não é representativo. Por isso estas "conices", são daquelas coisas que aqui este cromo também não compreende. Em que pensam os estrategas do PS? Apetece-me dizer: “Quem pode, pode, quem não pode sai de cima”.

Manuel, o teu estado de incerteza coaduna-se perfeitamente com a do PS: Diz lá agora que ninguém nos ouve, chegando à hora da verdade, afinal votas em quem?

EURICO

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«EURICO: Muita gente chama “eros” aos euros. Mas outro dia ouvi chamar à moeda europeia o nome do meu editor.» Riu-me à gargalhada.

HE’S BACK

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O Pedro esteve no fio da navalha mas saltou para o lado certo.
«O Pedro recomeçou muito bem», digo «Mas tudo de uma só vez é seria complicado. Falemos agora de coisas terrenas, para quando os textos sobre os Smiths

LINHAS DE ESQUERDA

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O Linhas já não publica um post há muito tempo, não sei se está morto. Morto não deve estar porque alguns resistentes continuam a tentar reanimá-lo. A esses vai daqui um bem hajam e não desistam.
Ao Jack só posso desejar muita sorte para esta nova etapa "revolucionária" na sua vida. Abraço, Linx.

WEBLOGS OU BLOGS, APRESENTO A BLOGOSFERA (5.3.) – ORIGEM DO TERMO "BLOG"

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Para chegarmos ao termo BLOG vou explanar passo a passo:

ETAPA 0 (Zero): LOG. A origem do termos Blog vem da palavra inglesa log, diário de bordo utilizado por navegadores e aviadores.

ETAPA 1: WEBLOG. Adaptação para o termo weblog foi criada por Jorn Barger, Autor do weblog Robot Wisdom, em Dezembro de 1997, pelo facto de estes serem diários escritos na web.

ETAPA 2: WE BLOG. «Aplicando-lhe um comportamento linguístico do Inglês, uma letra da primeira palavra, o b, passou para a segunda expressão.»

ETAPA 3: BLOG. Finalmente, extraíram-se as duas primeiras letras. Peter Merlholz – Peterme – é considerado o mentor da nova pronúncia da expressão.

Satisfeita esta curiosidade brevemente vou seguir a sequela "WEBLOGS OU BLOGS, APRESENTO A BLOGOSFERA", com o ponto "6 CARACTERIZAÇÃO DA BLOGOSFERA".

Fonte: Weblogs – Diário de Bordo.

COM A BOCA NO TROMBONE (9) – CONCLUSÃO: ESCOLHA ACERTADA PARA RECEPÇÃO DE INTERNET

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Para concluir vão umas palavrinhas para a escolha acertada do fornecedor de Internet:

- O modem analógico é a forma ideal para quem utiliza a Internet menos de quinze horas mensais, e o fornecedor mais barato é a IOL;
- A partir das 15 horas mensais o fornecedor por cabo é o melhor, e destes a Tvtel Netsonic é o tem melhores condições, pena que seja só na região do Grande Porto;
- Para alta velocidade e poucos downloads a melhor escolha para a Oninetspeed, mas se assinar a TV Cabo escolher o serviço Netcabo speedOn;
- Para alta velocidade e downloads de ficheiros muitos Mbytes, atacar os serviços que oferecem uma cota muito elevada de tráfego Internacional, por exemplo, Netvisão 512 Kbps, Box ADSL, ViaNet.Works Via ADSL Standard.
- Se a necessidade for essencialmente velocidade então escolher, Netvisão 1Mbit, mas…o dobro do preço não significa o dobro da velocidade, até porque se bem se lembram as altas velocidades são as mais penalizadas com as perdas da rede.

Boa navegação, e não deixem de fazer um justo protesto quando as circunstâncias o exigem…e não são poucas.

segunda-feira, abril 19, 2004

GUERRILHEIROS DAS PALAVRAS - I

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Na história da música portuguesa existem muitas personalidades marcantes. Artistas que, pelo seu talento, carisma e popularidade marcaram o seu tempo.
Não são muitos, porém, os que determinaram a história da música. José Afonso foi um deles.
Ficaria conhecido por um nome ao mesmo tempo íntimo e universal: Zeca Afonso. Um nome que refere mais do que o artista, mas convoca uma figura poderosa no imaginário colectivo, figura que adquire contornos de mito. Disso tinha, de alguma forma, consciência. Na longa recolha de entrevistas que José António Salvador reuniu no livro Livra-te do Medo, afirma: "Eu um mito? (...) Só sinto que sou um mito quando me falam disso."
José Afonso não se limitou a determinar o curso da história da música. Foi protagonista destacado nas principais mudanças culturais, políticas e sociológicas que Portugal conheceu desde os anos sessenta.
Talvez seja esta a principal característica que distingue Zeca Afonso. Ele transcendeu largamente a sua condição de compositor-cantor e o seu estatuto de artista. Foi um homem que fez de novo.


JOSÉ Manuel Cerqueira AFONSO dos Santos, filho de Maria das Dores e José Nepomuceno Afonso, nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929.
Durante a sua infância percorreu diversos lugares que passaram desde logo a constituir referências e constantes memórias - Aveiro, Angola, Moçambique, Belmonte.
No início dos anos 40, e até 1953, Coimbra foi a cidade onde permaneceu, aí frequentando o liceu e a Faculdade de Letras. Integrou o Orfeão Académico e a Tuna Académica da Universidade, começando também a interpretar o Fado de Coimbra.
Entre 1953 e 1955 cumpriu o serviço militar em Mafra. Após o que voltou a Coimbra iniciando então a sua actividade no ensino, leccionando em Mangualde, Aljustrel, Lagos, Faro e Alcobaça.
Em 1958, no claustro do Mosteiro de Ceira perto de Coimbra, gravou o seu primeiro disco.
Após uma breve permanência em Faro, partiu para Moçambique onde ficou entre 1964 e 1967, ensinando em Lourenço Marques e na Cidade da Beira.
Voltou para Portugal em 1967, fixando-se em Setúbal.
Foi expulso do ensino oficial por razões políticas. A partir daí a sua actividade dividiu-se entre as explicações particulares e o canto, apoiando numerosas colectividades e associações populares, a par de uma cada vez mais comprometida actividade política.
Depois do 25 de Abril de 1974, José Afonso partilhou e entregou-se por inteiro à liberdade, à solidariedade, à fraternidade.
Entre 1979 e 1987 viveu em Azeitão.
Percorreu centenas de quilómetros cantando sempre e para sempre, porque afinal há silêncios que não existem.

Discografia

Créditos : o texto em itálico e a foto foram retirados daqui
o outro texto daqui

T_EJEITOS DE AB_IL

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A malta do Nelsu não parou de se coçar, no entanto tem-se mantido sempre alerta.
Eh pá! Não sei porquê mas para estes lados adquiriram-se uns tiques muito estranhos. Ah! E têm efeito epidémico. «O 25 de Ab_il foi uma _evolução e não uma evolução. Mota Ama_al afi_ma que t_inta anos depois, o que se comemo_a é antes demais a _uptu_a _evolucioná_ia que _esultou na democ_acia. A evolução veio mais ta_de.»

O COICE QUE O 25 DE ABRIL DEU

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Um magnífico blogue que desenterra peças da antiga senhora e revigora alguns elementos que a derrubaram. Pois é, já naquele tempo não havia respeito pelos velhinhozzzz..zzzz…parabéns pelo trabalho arqueológico muito equidistante, aliás regra que o Jumento já nos habituou.



Fotografia de Stan Funk

ENQUANTO A MALTA SE COÇOU (4)

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Enquanto a malta do Nelsu se coçou...o João e o John consideram a resposta de Israel ao terrorismo Palestiniano perfeitamente admissível. Do João já esperava mas do John…ââââhh…também. Vejam lá que aquela rapaziada que até é de sangue “supé” quente está mais calma!

ENQUANTO A MALTA SE COÇOU (3)

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Enquanto a malta do Nelsu se coçou...Durão Barroso empertigou-se com Zapatero. Zapatero “atemorizou-se” e nem se mexeu. Eh!Eh!

ENQUANTO A MALTA SE COÇOU (2)

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Enquanto a malta do Nelsu se coçou ... Americanos só de capacete azul. São estes os radicais?

ENQUANTO A MALTA SE COÇOU (1)

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Enquanto aqui a malta do Nelsu se coçou…à esquerda e à direita do PCP, a rapaziada ficou incomodada pela recepção do primeiro-ministro ao Nobel da literatura José Saramago.
A direita deve-se importunar pelo facto de 50% dos Nobels portugueses serem rubros, e a esquerda fica arreliada por 50% dos Nobels portugueses serem rubros e ainda terem a distinta lata se aproveitarem destas cambalearias do primeiro-ministro para fomentarem o seu trabalho.

GANDA PEDRA

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Now we’ll definitely get stoned. Don't panic.

domingo, abril 18, 2004

COM A BOCA NO TROMBONE (8) – SERVIÇO MELHOR EXIGE-SE!

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Outra resenha perdida e que hoje pretendo reabraçar é “COM A BOCA NO TROMBONE”. Nesta descrição minuciosa partiu-se de um artigo da PROTESTE e demonstrou-se as graves lacunas dos serviços que nos fornecem Internet. A sequência deste conjunto de posts foi:

1. A introdução 1 e 2;
2. Velocidade posta à prova;
3. Contratos abusivos;
4. Preços Elevados;
5. Helpdesk ineficaz.

Posto isto, serviço melhor exige-se:

- Serviços mais transparentes enunciando quais a velocidades reais aos consumidores;
- Melhorar as infra-estruturas e desta forma atingir velocidades no patamar do aceitável;
- A ANACOM deve impor regulamentos que definam os padrões mínimos para todos os serviços, e obrigar todos os fornecedores a respeitá-los, sob pena de serem penalizados; Não sei se a ANACOM lida directamente com os casos de reclamações mais difíceis de resolver, em todo o caso fica aqui o sítio. Posso também sugerir o Provedor de Cliente para quem usufrui dos serviços da PT. Já tive graves problemas com a minha ligação à WEB e depois de várias tentativas para os solucionar pelos trâmites normais fui forçado a colocar no CC.: o endereço do provedor do cliente da telepac. O Provedor do Cliente parece ser a chave para a solução de muitos dos nossos problemas com aquela casa;
- O tráfego não utilizado deve transitar para o mês seguinte. Só o Clix Turbo contempla este aspecto;
- Quanto aos contratos abusivos salienta-se um ponto: é o facto do cliente ser obrigado a assinar por um ano com um determinado fornecedor, e mesmo que esteja insatisfeito com o serviço e pretenda desistir da assinatura, é obrigado a pagar as restantes mensalidades.

Segue amanhã a conclusão deste assunto.

WEBLOGS OU BLOGS, APRESENTO A BLOGOSFERA (5.3.) – DEFINIÇÕES PARA BLOG

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Neste assunto não cumpri em absoluto o prazo que estipulei. A dita “dissertação” segue passado uns bons fins-de-semana depois daquele que previa. Inclusive perdi o raciocínio da tal “dissertação” mas, mesmo assim vou fazer-lhe uma pega de cernelha.

Nesse último post escrevia-se sobre a afirmação de Cameron Barrett - autor de um dos primeiros blogs CamWorld – que considera que um blogue «é uma pequena página, normalmente mantida por uma pessoa, actualizada com regularidade e que tem uma grande concentração de visitantes habituais».
Contraponho com alguma experiência adquirida aqui no Nelsu. Ao longo dos quase 6 meses de vida do Nelsu, tem-se verificado que temos uma faixa significativa de visitantes acidentais, sobretudo aqueles que utilizam motores de busca para pesquisar os seus temas preferidos. Estes habitualmente não voltam, e para o confirmar, basta constatar que o número de visitas durante este período mantém-se sem grandes oscilações.

De facto a afirmação de Cameron Barrett não dá o devido apreço a este dispositivo que integra a Internet. Contudo, julgo que esta asserção não é mais do que atirar achas para a fogueira, ou seja, um género de gatilho que despolete a discussão.

É mais abrangente a definição compilada da Elisabete e do António que considera que um blogue incorpora os três principais corpos da Internet: World Wide Web, E-Mail, Chat. Destes três pontos confluentes o blog parte para onde a imaginação o permite, e principalmente para onde o interesse pessoal o pretende dirigir. O facto do blogue ser uma tecnologia tão acessível permite milhões de seres humanos utilizá-la, interpreta-la à sua maneira, e consequentemente fazer com que os seus blogs tomem as mais variadas formas.

Aqui já existe algum material para potenciar qualquer discussão em torno desta matéria. Contudo, amanhã o tema vai avançar e com ajuda do livro Weblogs – Diário de Bordo vou satisfazer a curiosidade dos leitores sobre o significado do termo BLOG.

BREVE SUMÁRIO DA HISTÓRIA POLÍTICO-SOCIAL DE PORTUGAL (1945-1974)

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Após a derrota da Alemanha, em 1945, o governo português decretou luto nacional pela morte do nazi Hitler, tendo, a vitória dos Aliados sido celebrada com inúmeras manifestações de cariz popular. Perante estas, o “Estado Novo” , através da sua máquina de propaganda, procura impor a expressão “ democracia orgânica” para caracterizar o regime.
Norton de Matos, presidente do Movimento de Unidade Antifascista, criado em 1943, depois de obter o apoio de algumas regiões militares, prepara uma revolta que não chega a verificar-se. Na sequência deste facto, Salazar dissolveu a Assembleia Nacional e proclama a realização de eleições, com “permissão oficial” de participação à oposição que, aproveitando tal facto, se aglutina formando o Movimento de Unidade Democrática (MUD). Apesar dos 30 dias dados à oposição para se organizar e das inúmeras dificuldades levantadas, o MUD consegue apoios significativos. Só que a promessa de Salazar em realizar eleições “ tão livres como na livre Inglaterra” não passou de mais uma farsa e a oposição acabou por desistir, tendo posteriormente sido perseguidos os seus principais apoiantes e dinamizadores.
Mercê dos “ensinamentos” de instrutores nazis, forma-se a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) e as prisões enchem-se. Mas não conseguem estancar as correntes da resistência: em 1946, formou-se o MUD juvenil e uma revolta militar desencadeada no Porto é detida na Mealhada; milhares de operários têxteis, em luta por melhores salários, entram em greve, em 1947,exemplo de luta logo seguido pelos operários da zona industrial de Lisboa; neste mesmo ano, nova revolta militar e o regime intervêm nas principais universidades, expulsando 22 professores, o que desencadeia intenso movimento de protesto dos estudantes.
O capitão Henrique Galvão é preso. Motivo? Ousa, em 1947, levantar o problema da política colonial portuguesa, pondo-a em causa num relatório elaborado para ser apresentado a algumas organizações internacionais.
Em 1949, realizam-se eleições para a Presidência da República, tendo a Oposição apresentado a candidatura do General Norton de Matos que, em face das dificuldades e manobras do governo, acaba por retirar. Após a esperada/imposta reeleição do General Carmona, assistiu-se à promulgação de “medidas de segurança” visando a prisão perpétua de um político ao dispor que a prisão pode continuar por tempo indeterminado mesmo depois de cumprida a pena.
Entre 1950 e 1953 sucedem-se as lutas das massas trabalhadoras e a PIDE multiplica as perseguições, torturas e prisões. Com a morte de Carmona, ocorrida em 1951 realizam-se novas “eleições”. Pela Oposição surgem como candidatos o almirante Quintão Meireles e o Prof. Rui Luís Gomes (cuja candidatura é recusada sob a acusação de se tratar de um “comunista”). Uma vez mais a renúncia surge como a única forma de não pactuar com as manobras do fascismo e o General Craveiro Lopes, proposto pela União Nacional, torna-se o “novo” Presidente da República.
Do estrangeiro começam, entretanto, a surgir críticas ao colonialismo e, em 1953, verifica-se uma revolta em S.Tomé, que acaba com inúmeras prisões e mortes. Perante o intensificar das críticas internacionais ao colonialismo, o governo promulga um “bizarro” Estatuto do Indígena pelo qual em Angola, Guiné e Moçambique se “extingue” a condição de indígena e se “concede” a cidadania “aos indígenas, maiores de 18 anos, que falem correctamente português, ganhem para manter a família ou tenham bens suficientes e possuam a ilustração e os hábitos necessários à condição de cidadãos portugueses”. Só que 96,7% e 98,4% da população total de Angola e Moçambique, respectivamente, são, na altura, “indígenas não civilizados!”.
Na sequência da luta generalizada dos camponeses alentejanos por melhores salários, é assassinada, pelas forças repressivas da GNR, Catarina Eufémia…”e ficou vermelha a campina do sangue que então brotou”, como cantou José Afonso.
Em 1958, novas eleições. Pelo governo, é proposto o contra-almirante Américo Tomás e, pela oposição, o Dr. Arlindo Vicente que, logo mais, e perante o apoio das massas ao general Humberto Delgado, o outro candidato inicialmente proposto, desiste a favor dele.
Os 25% dos votos atribuídos pelo governo a Delgado são, evidentemente, falsos: Humberto Delgado tinha arrastado consigo verdadeiras multidões. Realizam-se manifestações populares de apoio à contestação de tais resultados. A repressão ultrapassa todos os limites: prisões sem número, cargas policiais sobre os manifestantes, exílio de Humberto Delgado e do Bispo do Porto.
Em face do sucedido e sacudido por nova revolta militar, o governo procede a uma alteração significativa do Constituição: o Presidente da República passa a ser eleito, não por sufrágio directo e universal, mas por um colégio eleitoral constituído pela Assembleia Nacional, Câmara Corporativa e representantes dos municípios e das províncias ultramarinas.
Em 1960 as fugas de Álvaro Cunhal e outros presos políticos detidos em Peniche, veio vibrar importante golpe no “prestígio” dos esbirros de Salazar. Nas Nações Unidas, Salazar insiste em falar de “províncias ultramarinas”, recusando a designação de “colónias”, e recusa-se a dialogar com o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), quando estes movimentos nacionalistas se mostram dispostos a dialogar.
Henrique Galvão, que em 1959 conseguira fugir de um hospital lisboeta, assalta, em 1961, em pleno Mar das Caraíbas, o paquete “Santa Maria”, chamando desse modo as atenções mundiais para o regime repressivo vigente em Portugal.
Em Angola, o MPLA, inicia em 1961, o processo da luta armada pela conquista da independência e, neste mesmo ano, o exército indiano invade Goa, Damão e Diu. Salazar proclama a política do “orgulhosamente sós”, insensível perante as decisões de órgãos internacionais como as Nações Unidas. Em finais do ano, nova revolta militar, desencadeada no quartel de Beja.
Em 1962, a agitação política em torno da contestação do regime e da legitimidade da guerra colonial – para cujo teatro de operações começam a ser enviadas tropas portuguesas em grande escala – alastra às universidades, entre Março e Maio: a polícia não hesita em penetrar nas mesmas, registando-se violentos confrontos com os estudantes.
Entretanto, forma-se a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), que inicia a luta armada em 1964.
Em 1965, Humberto Delgado é assassinado e ao país é dado simples conhecimento da reeleição de Américo Tomás. As eleições para a Assembleia Legislativa permitem à oposição denunciar a questão da guerra colonial, pronunciando-se pela sua resolução pacífica (auto-determinação).
Começa o processo de constituição de várias organizações revolucionárias: LUAR (Liga de União e Acção Revolucionária), em 1967; ARA (Acção Revolucionária Armada), em 1970; e BR (Brigadas Revolucionárias), em 1971.
Mas, em 1968, Salazar é afastado do poder por uma cadeira e Marcelo Caetano, que em 1962 era reitor da Universidade de Lisboa e se demitiu por considerar que a autonomia universitária tinha sido violada pela invasão policial, é nomeado chefe do governo, apostando desde logo na política da “renovação na continuidade”, isto é, mudar nomes (“Estado Social” em vez de “Estado Novo”; “Direcção-Geral de Segurança” em vez de “PIDE”; “Exame Prévio” em vez de “Censura”; “Estados” em vez de “Colónias” ; etc.).
Em 1969 prossegue com redobrado vigor a guerra colonial. Mondlane, presidente da FRELIMO, é assassinado; era demasiado perigosa a sua determinação e a sua visão realista do problema (“Nós, Moçambicanos, nada temos contra o povo português”).
Em novas eleições para a Assembleia Nacional, a oposição surge dividida: CDE (Comissão Democrática Nacional) e CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática). O resultado foi a farsa do costume e, na Assembleia Legislativa, apenas a União Nacional teve lugar. As abstenções atingiram um número tal que, em distritos como os de Lisboa e Setúbal, foram superiores ao número de votantes!
De 1970 a 1974 desvanece-se por completo a fachada pseudo-liberalizadora anunciada na “Primavera Marcelista”. O fascismo permanece e revela-se incapaz de conter o vasto movimento popular que a combatia em todas as frentes, incluindo a militar, no seio da qual se formou, em 1973, o MFA (Movimento das Forças Armadas) que, finalmente, em 25 de Abril de 1974, restaurou a liberdade e a democracia no país de Abril tão desejado.


Extraído de "Música Popular Portuguesa" de Mário Correia, ed. Centelha-MC, 1984.

sábado, abril 17, 2004

FOI DE FACTO UMA REVOLUÇÃO

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No dia 25 de Abril 1974 os cravos oferecidos aos militares que perpetraram a revolução eram vermelho mas, a campanha para a comemoração do 30º aniversário da revolução dos cravos arranca o R e muda a cor à flor que se tornou no símbolo da liberdade. Desta forma o governo português pretende adulterar/subestimar o passo decisivo que instaurou a democracia em Portugal.

A imagem que segue, demonstra qual a rectificação que queremos eregir à campanha que todos pagámos – penso ser uma montagem do Barnabé.



Desta maneira, o Nelsu associa-se à iniciativa “Aqui Posto de Comando” e celebra com toda a intensidade o 25 de Abril, convergindo com a esmagadora maioria da blogosfera.

quinta-feira, abril 15, 2004

QUE VERGONHA!

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15/04/2004 FUTEBOL
Estádio Mário Duarte
Entradas bloqueadas pela Somague e Vitor Frias
Vários camiões das empresas construtoras Somague e Vítor Frias estão a tapar as entradas do novo Estádio Municipal Mário Duarte, em Aveiro, numa acção de protesto pela falta de pagamento de 7,5 milhões euros (1,5 milhões de contos).
Quando se preparava para realizar o treino da manhã, a equipa do Beira-Mar, foi confrontada com o bloqueio nas entradas do estádio, um dos 10 que vão receber jogos do Euro'2004, e impedida de treinar, regressando ao velho estádio Mário Duarte.

A Agência Lusa tentou obter uma reacção do presidente da EMA, Empresa do Estádio Mário Duarte, Miguel Lemos, que se encontra incontactável.

Os trabalhos de construção das acessibilidades ao estádio, inaugurado a 15 de Novembro, deveriam terminar sexta-feira.

Fonte: Lusa


Já estamos habituados... É com estes bons exemplos que se "educa" Portugal.