sexta-feira, agosto 13, 2004

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (19)

TARDE E MÁS HORAS, DO MUNICÍPIO DO MAJOR MAIS GRADUADO DO PAÍS

Antes de mais devo uma explicação. Tentei enviar ontem de Medas – concelho de Gondomar – este post, mas não tinha saldo no telemóvel, zoinc … por isso, vou transcreve-lo, tal qual como ficou memorizado no meu telemóvel.

«(11 Agosto km -29 da Foz do Douro) Chuva e vento para temperar ainda mais a aventura. Passámos o ponto crítico: a dita ponte de Entre-os-Rios. Para passar, o segredo é, antes do obstáculo põe-se um whisky abaixo. A seguir, bebe-se um fino, come-se um pires misto de queijo e presunto, e para matar, um Porto. Esta é uma solução para qualquer receio mais persistente.
Quase toda esta receita foi ingerida na mesma tasca que nos socorreu no ano passado, após o naufrágio: O Café do Areeiro. O dono do café não me reconheceu, contudo lembrava-se quase na perfeição da estória do ano passado. Brindámos à nossa passagem.

Prognóstico para amanhã: Com tanta chuva, é natural que o caudal do rio aumente, o que aumenta a minha insegurança a navega em rio aberto (corrente controlada pela maré). Estes kayaks não estão definitivamente preparados para estas condições. Porra também nunca pensei que chovesse tanto em Agosto!!!»

quinta-feira, agosto 12, 2004

4 a 2



Afinal, os gajos sempre tinham ARMAS DE DESTRUIÇÃO MACIÇA!!!

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (18)

Hoje, se tudo correr pelo melhor, finalizamos a viajem no Cais de Gaia pelas 15 horas. Até lá!
Ass: Sabão

Nota: este sms foi enviado pelas 10h43m.

FotoNelsuBeleza.

quarta-feira, agosto 11, 2004

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (17)

Hoje, e apesar da chuva e vento forte, atingimos o objectivo. Tivemos alguns contactos com a imprensa e o ultimo dia promete ser agitado. Receamos o rio aberto e as marés, mas, como diria um amigo : "Deus nunca se esquece de ti"!!!
Ass: Sabão

FotoNelsu.

STONE ROSES



Já está editado o (duplo) DVD dos magníficos Stone Roses, uma das mais excitantes bandas da segunda metade dos anos 80 e responsável por um disco absolutamente seminal. O primeiro DVD contém um concerto ao vivo em Blackpool e ainda os clips das principais canções do grupo como "Waterfall"; o segundo traz actuações na Tv e ainda uns extras.
Não sei se Manchester alguma vez voltou a ser a mesma depois deles mas sei que eu não voltei!

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (16)

Já vejo a nova ponte de Entre-os-Rios : local onde o iate afundou o ano passado. É o nosso Bojador! Boa sorte marinheiros!!!
Ass: Sabão

Nota: sms enviado às 9h e 48m de hoje.

FotoNelsu.

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (15)

10h. 11 Agosto. 48 Km da Foz do Douro.
Estamos parados num café frente à ponte de Entre-os-Rios. Bebo um whisky para combater alguma ansiedade para o confronto com o Adamastor.
Ass: Major Alvega

FotoNelsu

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (14)

10 de Agosto. 53 Km da Foz do Douro.
Acordei com chuva...mau presságio! Enganei-me. Os elementos puseram a sua raiva para fora no momento certo. A barragem do Carrapatelo esteve em manutenção entre ontem e hoje, então o tráfego na eclusa fazia inveja a qualquer metropole em hora de ponta. Na eclusa fomos literalmente embarrilados pelos enormes cruzeiros do Douro. Depois foi só remar e enfrentar a carneirada causada pelo vento de final da tarde. Maldita carneirada. Amanhã vamos tentar passar pelo nosso cabo das tormentas e o seu Adamastor, refiro-me a Entre-Os-Rios e ao Tâmega! Bbrrrrr!!! Pelas minhas contas, passaremos por lá às 8 da manhã.
Ass: Major Alvega

Fotos

terça-feira, agosto 10, 2004

FUTEBÓIS

Benfica 1 Anderlecht 0

Terminou a primeira mão da pré-eliminatória da Taça dos Campeões com a vitória do Benfica por um escasso golo de vantagem marcado bem cedo por Zahovic. Perdeu o Anderlecht e perderam também os cerca de 50 mil adeptos que pagaram para assistir a este jogo.

Lille 0 U.Leiria 0

Excelente resultado para a turma de Leiria que está a uma vitória de conseguir vencer esta final da Taça Intertoto e chegar à Taça Uefa.

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (13)

09 de Agosto. 70Km da Foz do Douro.
Se difícil escolher pior mês de Agosto: chuva e vento que até mais não. No entanto, temos contornado os elementos remando assim que o sol nasce. Saímos da região demarcada e estamos na área de Cinfães do Douro e as suas magníficas áreas arborizadas com pinheiro manso e sobreiro. Deslumbrante!
Ass: Major Alvega

Álbum Fotográfico

segunda-feira, agosto 09, 2004

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (12)

Hoje começámos bem. Fizemos 32 km. Acabamos a etapa em Porto Antigo com uma molha daquelas. Estamos mais perto. Venha o sol. Amaine o vento.
Ass: Sabão

Retratos.

domingo, agosto 08, 2004

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (11)

08 Agosto. 102 Km da Foz do Douro. Peso da Régua.
Hoje cumprimos 36 km, alcançando um total de 107 km, batendo assim a distância do ano passado. A nossa distancia diária máxima também foi batida. Neste momento o moral é alto, agora é importante não embandeirar em arco. Fait Attention!!!
Ass: Major Alvega

P.S. - Tudo isto com muito vento e chuva à mistura o que é desagradável, digamos!

Mais Fotos.

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (10)

Hoje andámos bem, mesmo com a chuva e o vento. Começou a contagem decrescente. Atingimos a Régua. Já só faltam 100 km.
Ass: Sabão

Álbum Fotográfico

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (09)

07 Agosto. 139 Km. Foz do Tua.
A localidade tem mesmo esse nome: Foz do Tua. Na totalidade percorremos 70 kms. Os problemas técnicos estão quase todos resolvidos. Obrigado ao meu pai e ao Renato, pelas ideias. Fez-nos bem aquela paragem. Até amanhã! Ass: Major Alvega.

Olhópassarinho!

sexta-feira, agosto 06, 2004

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (08)

Um dia parados, esperamos rentabilizar este tempo. Já temos eclusagem marcada para sexta-feira às 18 horas. Hoje provamos vinho, azeitonas, queijo e presunto da região.
Ass: Major Alvega

Nota: Devido à falta de rede nesta zona do Douro, esta última mensagem vem com muitas horas de atraso!

Fotos

quinta-feira, agosto 05, 2004

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (07)

O iate está no estaleiro. A única empresária do Pocinho (taxista) vai levar-nos a Foz Coa às compras. Se houver tempo vou aos saldos eh eh eh.
Ass: Sabão

Reportagem da Expedição aqui.

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (06)

Uff!!! Conseguimos eclusar. Hoje, dia duro de remada. Fizemos cerca de 20 km em 5 horas. O novo sistema de remos, em termos estruturais, funciona (parabéns Quim!) mas os apoios estão uma cagada. Tive que usar uma técnica do ano passado para não perder o remo. Vamos tentar solucionar o problema amanhã e fazer compras no Pocinho. Os próximos 3 dias vão ser na zona mais inóspita do Douro. Serão cruciais, por isso é importante boa preparação.
Ass: Major Alvega

As fotos aqui.

terça-feira, agosto 03, 2004

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (05)

Dia pouco rentável. Um período de chuva forte. Seguindo fortes rajadas de vento. Os primeiros problemas técnicos: forquetas. Não foi um bom dia para o moral.
Ass: Major Alvega.

Mais detalhes aqui: http://nelsu-um-tinto.textamerica.com/

segunda-feira, agosto 02, 2004

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (04)

Vamos arrancar a partir de agora, vamos enviar as notícias da operação diariamente (se a rede o permitir). Abraço, Alvega.

sábado, julho 31, 2004

O NELSU EM VERSÃO MOBLOG

Pois é! Vamos rio abaixo mas o blog não pára. O Nelsu criou um Moblog.
http://nelsu-um-tinto.textamerica.com
Vamos documentar toda a Viagem com fotos e comentários através de um telefone móvel com MMS. Esperemos que resulte! Tinto! Sai um tinto!

sexta-feira, julho 30, 2004

DOURO ABAIXO, O DIA D - 1 actualizado



20:30, 29-07-04, Ria de Aveiro. O primeiro e único teste foi Positivo. O "transatlântico" flutua. Prevejo dores de costas, bicos de papagaio, joanetes, barba grande e muitos dassss! As fotografias vão ter que esperar mais umas horas, mas o momento foi registado. Imagens de rara beleza já a seguir no sítio do costume.

- Imagem 1;
- Imagem 2;
- Imagem 3;
- Imagem 4;
- Imagem 5.

quinta-feira, julho 29, 2004

ELA VEM AÍ...

 


Concerto de dia 13 de Setembro esgota no dia em que bilhetes foram postos à venda e já há concerto extra no dia seguinte. É a Loucura!!!

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (03) actualizado

Hoje, pelas 7.00 da tarde estaremos na Ria de Aveiro a ensaiar a “embarcação”, e a recolher as primeiras imagens.

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (02) actualizado

Em primeiro lugar, quero explicar a denominação que dei a esta aventura "OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004": Atinja a “embarcação” a foz rio, ou o seu leito, esta designação estará sempre bem enquadrada.

terça-feira, julho 27, 2004

ANEIS DE SATURNO in loco

Uma imagem lindíssima dos anéis de Saturno captada pela sonda Cassini Huygens. Furo gamado ao Bd’E com grande lata. Obrigado.

OPERAÇÃO DOURO ABAIXO 2004 (01) actualizado

Lembram-se disto?



(1) – Imagem, ensaio Ria de Aveiro;
(2) – Imagem, ensaio Ria de Aveiro;
(3) – Imagem, algures entre a Nagozelo do Douro (concelho de S. João da Pesqueira) e o Pinhão (concelho de Alijó);
(4) – Imagem, Barragem da Régua;
(5) – Imagem, Barragem da Régua;
(6) – Imagem, Barragem da Régua;
(7) – Imagem, Porto Rei, freguesia S. Martinho de Mouros, concelho de Resende;
(8) – Imagem, Quinta da Capela, freguesia de Sande, concelho do Marco de Canaveses.

Gorada a tentativa do ano passado contra-atacamos novamente em 2004. Os princípios fundamentais da expedição deste ano voltam a ser os mesmos dos do ano passado, havendo todavia, algumas alterações:

- Embarcação caseira (imagem), composta por canoas recuperadas, unidas por uma estrutura metálica a qual vai albergar os tripulantes e a carga. Desta forma, possibilita-nos uma viagem em plena autonomia – sem assistência – e ao mesmo tempo uma posição bem mais confortável para os remadores;
- A distância será aumentada. Em 2003 partimos de Nagozelo do Douro – 5 Km a jusante da Barragem da Valeira – com o objectivo de cruzar a ponte D. Luís no Porto/Vila Nova de Gaia e atingir o cais de Gaia – distância, a percorrer 150 Km -, ficamos pela ponte de Entre-os-Rios – distância percorrida 98 Km. Em 2004 o ponto de chegada mantém-se, mas o ponto de partida passa a ser Barca D’Alva – Fronteira com a Espanha – aumentando assim a distância para 210 Km;
- Apesar de ainda haver um pequeno detalhe a confirmar, a partida está programada para Terça-Feira, 3 de Agosto e a chegada dia 13 de Agosto, embora, a data da chegada esteja constrangida a uma série de factores que estão fora do nosso controlo: horário das eclusagens, vento, problemas técnicos da embarcação caseira;
- A tripulação, de 2004 até ao momento é composta por 2 elementos: eu e o Sabão;
- A partir de hoje, vão haver constantes actualizações no nosso blogue relativamente a esta matéria. Este blogue servirá de “log”, diário de bordo da nossa aventura. Diariamente enviaremos SMS para o Nelsu para transmitir o desenrolar da acção. Meus amigos "IN LOCO" … e para ajudar, podem consultar o mapa do Douro navegável através do sítio do IND. Contudo, para visualizar o mapa, é necessário descarregar o programa Autodesk MapGuide (de borla, essa palavra mágica).

CORES PREDOMINANTES DA ÉPOCA

As tendências da época Primavera/Verão 2004 mantém-se relativamente a 2003.



(1), (2), (3 – imagem de jeff jeffo)

CONCERTO EM AVEIRO

Dia 2 de Agosto, José Afonso comemoraria o seu 75º aniversário. Para celebrar a data a Câmara Municipal de Aveiro vai organizar – em Aveiro, claro, no largo do Rossio - um concerto que junta Sérgio Godinho e Victor Almeida e Silva – cantarão músicas do Zeca. (Diário Digital)

segunda-feira, julho 26, 2004

ROBERT CAPA (1913 – 1954)

Andrei Friedman (Robert Capa) nasceu em Budapeste, Hungria, em 1913. Considerado o maior fotojornalista do século XX, tornou-se também no maior correspondente de guerra desse mesmo século.
Entre os diversos momentos históricos que captou, dos quais se destacam a Invasão da China pelo Japão (1938), o Desembarque na Normandia (1944), ou o Nascimento de Israel (1949), foi a Guerra Civil Espanhola que tornou o seu nome célebre.
Com apenas 18 anos, Robert Capa emigrou para Berlim para estudar ciências políticas. Lá iniciou a sua carreira, ao trabalhar como assistente de um laboratório fotográfico, vendendo a sua primeira fotografia.
Em 1933 emigrou para Paris, mudando aqui de nome e, em 1939 para os Estados Unidos, sendo contratado como fotojornalista pela Collier’s Weekly. As suas viagens multiplicaram-se.
Após ter iniciado em 1941, o trabalho fotográfico sobre a Segunda Guerra Mundial, dois anos mais tarde foi contratado pela Life Magazine. Em 1944 teve um dos episódios mais marcantes da sua vida, ao acompanhar as tropas no desembarque aliado na Normandia. Durante as duas primeiras horas fez 108 fotos. Para as conseguir teve de passar por sacrifícios incalculáveis, tais como se esconder por entre os corpos dos soldados mortos... o horror era tal que teve de ser retirado juntamente com os feridos quando o pavor o venceu, ao trocar o rolo da máquina. Contudo, este trabalho foi lamentavelmente perdido, quase na totalidade, quando um funcionário do laboratório da revista “Life” se enganou, acabando por destruir os negativos.
Em 1947, juntamente com os seus amigos, Henri Cartier-Bresson e David Seymour, entre outros, fundou a agência “Magnum Photos”. A sua coragem levava-o a arriscar demasiado e o seu lema demonstra a sua filosofia: “Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto”. A 25 de Maio de 1954, talvez vítima desta forma de pensar, morreu na Indochina, ao pisar uma mina terrestre.

domingo, julho 25, 2004

DIA DO MUNICIPIO DE OVAR

25 de Julho dia do Município de Ovar. O Programa encontra-se também no Notícias de Ovar.

AQUÍ MESMO AO LADO

«Aqui bem ao lado, o AVANCA’04 é um espaço cheio de imagens, filmes, surpresas, workshops, ideias, exposições, encontros, discussões.» Hoje é o último dia. Também podemos encontrar um post referente ao evento no Notícias de Ovar: «Avanca 04, filmes já estão em exibição»

sexta-feira, julho 23, 2004

O MUNDO SEGUNDO CARLOS PAREDES

Tenham a bondade, senhoras e senhores. Instalem-se bem. Depurem os tímpanos e afaguem a alma, para que não percam uma só nota daquilo que vão ouvir. Estes sons raros e delicados vêm de uma antiquíssima galáxia povoada de gente boa, onde o mais importante são os Amigos e as infinitas formas de partilhar com eles os sentimentos, os afectos, as emoções.
Os Amigos, então. São eles, mais do que a própria guitarra que tanto venera, aquilo que acima de tudo importa no universo de Carlos Paredes. À volta da música surge a conversa, sempre em busca de um superior conhecimento do mundo. Para Mestre Paredes, as coisas são tão simples como respirar: «As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra, a coisa agrada-lhes e eles aderem. Não há mais nada.» (Público, 20.3.90).
É, pois, normal que Paredes se espante, com as emoções que ele mesmo provoca junto de quem o ouve: «Já me tem sucedido fazer as pessoas chorar enquanto eu toco... E eu não compreendia isto, mas depois percebi que é a sonoridade da guitarra, mais do que a música que se toca ou como se toca, que emociona as pessoas.»
A guitarra, as pessoas, a vida - eis aquilo que verdadeiramente conta para Carlos Paredes. Mas quem é, afinal, este homem tão humanamente humano? Quem é este Paredes, para lá da guitarra de que os seus dedos ágeis conhecem os mais íntimos recantos? Não é questão a que possa responder-se facilmente, tanto pelo seu permanente acanhamento em referir-se a si próprio, como pela lealdade dos que lhe estão ou estiveram mais próximos e que preferem guardar para si os momentos partilhados com o músico.
São lendárias as histórias da sua distracção congénita, da sua simplicidade comovente, episódios de alegrias, emoções e ternuras contados sem maldade em serões de amigos comuns. E é aí que devem continuar, longe dos apetites mundanos que acabariam por transformar estes momentos únicos em banalidades de um qualquer anedotário. Vamos, pois, aos factos que são do conhecimento mais ou menos geral.
Nascido em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925, respectivamente filho e neto de Artur e Gonçalo Paredes, Carlos aprendeu a tocar guitarra portuguesa quando tinha apenas cinco anos. Ainda tentaram ensinar-lhe piano e violino, mas «Por preguiça», não se ajeitou aos instrumentos. «A minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras», conta o músico. «Eram senhoras muito cultas, a quem devo a cultura musical que tenho. Passávamos horas a conversar e uma delas murmurava: "Não sei o que hei-de dizer aos seus pais". Mas aprendi muito com elas.» (Jornal de Letras, 17.3.92).
Aos nove anos muda-se com a família para Lisboa, onde conclui a instrução primária, no jardim Escola João de Deus. Passa pelo Liceu Passos Manuel antes de ingressar no Instituto Superior Técnico, onde não chega a licenciado. Casa e tem filhos. E nunca pára de tocar a sua guitarra.
A música é, já nessa altura, uma paixão a que Carlos Paredes se entrega com intensidade. Mas só em 1957, com 32 anos, dá pela primeira vez notícias em disco, num EP gravado para a Alvorada. Três anos depois, a sua música é utilizada por Cândido da Costa Pinto na curta-metragem "Rendas de Metais Preciosos", mas será em 1962 que, com a banda sonora encomendada por Paulo Rocha, gravará a primeira das suas composições mais geniais – "Verdes Anos", apenas, tal como o filme.
O cinema, de resto, é uma presença constante na obra de Paredes, e ao longo da década de 60 a sua música ilustrou filmes de Pierre Kast e Jacques Doniol-Valcroze, Jorge Brun do Canto, Manoel de Oliveira, António de Macedo, José Fonseca e Costa, Manuel Guimarães e Augusto Cabrita. Para teatro, destaca-se o seu trabalho para a peça "O Avançado Centro Morreu ao Amanhecer", de Cuzzani, levada à cena em 1971 pelo Grupo de Campolide - por cuja selecção musical ficou responsável durante mais meia dúzia de anos.
Quanto a discos publicados, é o que se sabe. Perfeccionista sempre insatisfeito, Paredes fez rarear as edições das suas músicas, que actualmente se resumem a três CDs de originais, dois em colaboração (com António Victorino d'Almeida e Charlie Haden), uma gravação ao vivo em Frankfurt, e algumas colectâneas de raridades.
O primeiro álbum (que era como então se chamava aos discos de 33 rotações por minuto), publicou-o Paredes em 1967, na Valentim de Carvalho: chama-se "Guitarra Portuguesa" e foi gravado em Paço d'Arcos, com Fernando Alvim como acompanhante à viola e Hugo Ribeiro na técnica. Alain Oulman, o francês de alma lusa que escreveu para Amália músicas como "Gaivota", assinava o texto de apresentação deste jovem músico que se estreava em disco grande aos 42 anos.
"Movimento Perpétuo", editado em finais de 1971, confirmou em definitivo o carácter único da sua música. Depois veio Abril. Deixando para trás projectos que ficariam semi-gravados (e que só muito mais tarde, em 1996, surgiriam na colecção de inéditos "Na Corrente"), Paredes entregou-se de corpo e alma à revolução emergente, percorreu o país de ponta a ponta, com a mesma generosidade com que, no tempo da ditadura, espalhava a sua arte por colectividades e pequenos grupos dos tais Amigos que se juntavam para ouvir estas músicas mágicas que anunciavam um mundo melhor. E, assim, só em 1988 voltaria a publicar um trabalho de estúdio, "Espelho de Sons".
Durante quase todo este tempo foi, também, funcionário do Ministério da Saúde, que faria dele arquivador de radiografias no Hospital de São José - até que, já nos anos 80, um ministro mais atento o promoveu, à sua revelia, a um cargo onde não tinha que fazer rigorosamente nada (um dos tais imprevistos admiráveis que um dia alguém contará). E só então lhe sobrou o tempo todo para a dedicação plena à guitarra, a que Paredes atribui todas as virtudes da sua arte: "A própria guitarra, o próprio tipo de sonoridade da guitarra é que emociona", garante.
A modéstia de Carlos Paredes é a única coisa que pode comparar-se em grandeza, com o seu enorme talento. Não se pense, porém, que esta atitude tem o quer que seja de auto-apoucamento, de falta de confiança e/ou de consciência do valor próprio da sua arte. Pelo contrário: «A música que eu faço tem normalmente estrutura da pequena canção, da cançoneta. Por isso é que eu costumo dizer sou um compositor de pequena música. É um termo que nunca utilizo no sentido pejorativo, mas que foi necessário, no critério de alguns musicólogos, distinguir um determinado tipo de música, a que também se chama música ligeira de um outro, a música clássica. Esta seria a "grande música" e, como música ligeira me parece um termo muito vago, então optei por lhe chamar "pequena música"." Mas atenção: «Quando eu falo de pequena música, pretendo apenas qualificar música que, estruturalmente, é simples e que pode até ser, do ponto de vista estético pouco apreciada, mas que não deixa de ser música. Se eu toco para várias pessoas que me ouvem com atenção, é porque lhes estou a dar prazer. E mesmo que esteticamente seja uma música menor, em termos de qualidade, não tenho que me envergonhar dela, não acha?» (Se7e, 5.10.83).
Este enorme pudor que colocou Paredes no pedestal mais alto da dignidade humana reflecte, apenas, a extrema exigência de rigor que tem para consigo próprio e que, como notou o jornalista António Costa Santos, "o leva a cada passo à mais feroz autocrítica e, por conseguinte, a considerar que a opinião do interlocutor, só é válida e respeitável, como poderá, a priori, ser mais adaptada à realidade do que a sua". Isto porque Paredes "acredita que, se os outros afirmam algo, é porque como ele faz, dissecaram em conversa prévia com os seus botões toda a que antes de botarem sentença. E como, para Paredes, seremos sempre mais do que ele capazes de, após reflectir, ver correctamente a essência das coisas, temos razão e ele vai pensar nas novas perspectivas que lhe abrimos, no que 'aprendeu' connosco" (Expresso, 21.3.92).
Carlos Paredes é, pois, daquele género raro de seres que praticam as relações humanas segundo uma ideia ideal que passa por uma ilimitada vontade de compreender, de olhar as pessoas dentro dos olhos, conhecê-las, gostar delas. E de comunicar com elas na sua globalidade humana de virtudes e de defeitos, sendo que há defeitos que podem ser qualidades e virtudes que podem afinal não ser assim tão virtuosas, tudo dependendo da perspectiva, do momento, daquela razão tão última e tão íntima que às vezes nem o próprio consegue definir.
"Explica-me os morangos", pediu uma vez jacques Brel ao seu amigo Olivier Todd. Brel, sonhador inveterado de um plat pays em tantas coisas parecido com o nosso, sabia que os morangos só se podem descrever e saborear. Com a música de Paredes passa-se algo de semelhante: não se explica, apenas se ouve e se sente.
Paredes é, por natureza, um homem que não se cansa de aprender, daqueles para quem a dúvida é sempre mais criativa do que a certeza final. Por isso nunca toca duas vezes uma música exactamente da mesma maneira. Por isso, também, só a muito poucos concedeu o privilégio de participarem intimamente na sua arte: Fernando Alvim e Luísa Maria Amaro, antes de todos; Victorino d'Almeida e Charlie Haden, quebrando as barreiras entre linguagens musicais aparentemente distintas, e poucos mais.
Do mesmo modo, Paredes consegue ser o maior mestre vivo da guitarra portuguesa sem nunca ter tido a sua ao serviço do fado dito tradicional. Porque, explica o músico, «o fado aconteceu em Portugal por razões bem concretas, foi uma expressão autêntica de um certo tipo de lirismo», mas «foi empobrecido por força das pressões sociais que estavam interessadas na sua adulteração e foi prejudicado na sua autenticidade por quem estava interessado em transformá-lo em objecto mistificador».
Por discrição e porque Paredes só se sente bem no meio dos amigos, encontramo-lo mais depressa - ainda que também raramente - em discos de cantores como Adriano Correia de Oliveira ("Que Nunca Mais", com textos de Manuel da Fonseca e arranjos de Fausto) e Carlos do Carmo "Um Homem no País", com letras de José Carlos Ary dos Santos), ao lado de poetas como Manuel Alegre ("É Preciso Um País") ou incentivando e procurando entender as experiências sonoras de músicos mais jovens. E que bem que sabe ouvir o Mestre assumindo discreta mas apaixonadamente a condição de puro participante em trabalho alheio, como sucede nos discos citados do Adriano e do Charmoso...
Para Carlos Paredes, a música é, antes de tudo, um acto de amor: «Para se fazer música com prazer tem muita importância a amizade entre as pessoas. Não se pode fazer música friamente e com cálculo, profissionalmente, no mau sentido da palavra, a receber x à hora. Não pode ser assim.» (Se7e, 16.3.88). Por isso, como se sente melhor a tocar é «em família, na intimidade. Acompanhando o tocar de uma conversa em que falamos de nós, dos amigos, dos acontecimentos da vida diária.»
Num tempo dominado pela crescente novagentização da sociedade, as palavras que Carlos Paredes partilha com o mundo, nas entrevistas que já deu, são a prova de que existe um país muito parecido com o nosso e que também se chama Portugal, mas onde as coisas fazem outro sentido. Ouçamo-lo quando lhe pedem para definir a sua arte: "A música que faço é um produto das circunstâncias imediatas do tempo em que eu vivo, e passará a ser encarada de outra forma quando essas circunstâncias desaparecerem. É urna coisa que, se perdurar graças aos discos, ficará apenas com o valor de documento, como acontece com toda a pequena música, desde os Beatles ao Manuel Freire. E já ficarei muito orgulhoso se, daqui a muitos anos, puder ser entendido como um compositor que se integrava bem nos acontecimentos desta época ... » (Se7e, 5.10.83).
Carlos Paredes é isto. Sereno, frontal, humilde. Mas sempre seguro das convicções - mesmo se as convicções não são mais do que as incertezas em que acreditamos. Atento aos pormenores de tudo o que acontece em seu redor, Paredes não deixou que as transformações do mundo lhe passassem ao lado. À semelhança de muitos outros que, como ele, dedicaram toda a vida a lutar "para que ninguém mais tivesse que lutar", como diria Vinícius, também Paredes sentiu o peso de algum desencanto. "O ideal não morreu e verifica-se que há determinadas coisas que só um sistema avançado pode resolver. Mas não pode ser de uma forma mecânica; é preciso ver, meditar e sobretudo ter um grande respeito pelos outros" (Expresso, 21.3.92)
Um grande respeito pelos outros. Eis o que faltou às utopias, mas nunca deixou de estar presente na vida, na música e nos gestos de Paredes. É nesse mundo de Amigos que se respeitam e se amam, que vive Carlos Paredes; é desse mundo, onde a Verdade e o Prazer caminham de mãos dadas, que nos ilumina com a grandeza simples dos sons que só ele sabe inventar.
Um génio? Ele diz que não, que é apenas um homem igual aos outros, capaz de amar e de sofrer, de rir e de chorar. «Geniais são as pessoas que respeitamos muito Génio era Mozart.» Génio, génio grande e generoso, é este Carlos Paredes, digo agora eu. E o futuro que me desminta, se for capaz.

 
Viriato Teles

Lisboa, Julho de 1998

 
Nunca tive o privilégio de assistir a nenhum concerto de Carlos Paredes mas nunca esquecerei a homenagem que os Kronos Quartet lhe prestaram ao interpretar os "Verdes Anos" no Rivoli à uns anos atrás.
Até sempre Camarada!

O PAÍS DE LUTO



Na Voz do Povo, perdeu-se hoje um "Monumento Nacional". 

ASSIM É DIFICIL…

… escolher. A esta altura os militantes do PS devem encontrar-se hesitantes entre a prosa (1),(2), e o verso. Já estou a imaginar:
- Vamos pela prosa, não é tão exigente...
- É melhor! É melhor! Nada de erudições, isso é só p'a dar chatices!