sábado, dezembro 31, 2005

THE AMERICAN DREAM - CUBA – XXXIV

31 de Dezembro de 2005 «Año de la Alternativa Bolivariana para las Américas» - Fim.



Fui em busca de uma realidade diferente da minha, fui sentir o pulsar de um estado socialista, um estado que estabelece prioridades de uma forma diferente da dos nossos estados, um estado com metas que pretendia alcançar, mas que para já ainda não as alcançou. Sobretudo porque não alinhou pelas regras dos nossos estados, mas também em pequena parte porque é um estado composto por alguns homens típicamente da espécie humana.
Os outros querem mais, mas muitos deles já são mais, só que não sabem.
Aumentei as minhas certezas, mas também aumentei as minhas dúvidas no sentido em que percepcionei que não sei nada do que achava que sabia [apontando para a máxima de Sócrates].



Também tentei tornar-me numa "pedra rolante". Bastante diferente da "pedra rolante" da música de Bob Dylan, porque a que o cantor se refere não tem alternativa nem salvaguarda. Eu tive uma forte salvaguarda:

[...]

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?


[...]

Like a Rolling Stone
Bob Dylan


THE AMERICAN DREAM - CUBA – XXXIII

De 16 a 19 de Agosto de 2005 «Año de la Alternativa Bolivariana para las Américas» - La Habana.

1. Um dos mais carismáticos lideres mundiais;



A figura de Fidel Castro permite que seja amada ou odiada. Do meu ponto de vista indiferença é uma palavra inatingível. Daí o título que usei para este ponto.
O significado da imagem anterior é imenso, e é fácil percebermo-lo se lermos o seguinte extracto, referente à chegada a Havana do Comandante en Jefe após se consumar a vitória da Revolução a qual ainda não se tinha indentificado politicamente: «A chegada a havana, a 8 de Janeiro, foi uma apoteose. Nessa mesma noite, no acampamento da Columbia, escolhhido a dedo porque as forças da tirania o haviam declarado inviolável, Castro faz o seu primeiro grande discurso ao povo de Cuba. Inaugura, com a voz aguda, o que constituirá a cerimónia ritual do seu diálogo com o público: um longo monólogo interrompido de vez em quando por perguntas que provocam respostas induzidas.
“Oralidade quente que atinge as tripas e o coração, transformando um auditório em comunidade viva”, segundo o diagnóstico de Régis Debray.»
[…] «Surge então a marca favorável ao destino. Os projectores captam no raios uma largada de pombas brancas. Duas delas vêm pousar nos ombros do orador. Mágico!
“Fidel! Fidel!”, gritam trezentas ou quatrocentas mil gargantas. É o delírio. Num país de maioria negra, marcado pela Santeria, crenças espiritualistas africanas datando do tempo da escravatura, e pela influência cristã, essas pombas brancas da paz santificam simultaneamente Castro e a Revolução.»
[fonte, livro de Pierre Kalfon, CHE – Ernesto Guevara, uma lenda do século, 1997] Uma perspectiva que experimenta uma visão divina em relação a um sistema político céptico quanto à religião.




2. Um dos locais mais emblemáticos de Cuba – A Praça da Revolução, onde um dos mais carismáticos lideres mundiais discursa, e onde se encontram a grande maioria dos ministérios;




3. Gente que deambulou pela Sierra Maestra, no final da década 50. Gente que fazem parte da HISTÓRIA DA HUMANIDADE;




4. Emigração

A emigração é das matérias mais delicadas no que diz respeito à Republica de Cuba e a todos os países que a dada altura da sua história optaram por seguir a via Marxista-Leninista. Tendo Cuba desde cedo



tomado o rumo Socialista, tocou de imediato com os interesses das comunidades abastadas ou sujeitas a privilégios. Assim se radicalizaram alguns sectores da população. Estes preferiram transferir-se para os Estados Unidos para salvar as suas riquezas, e a própria pele das contas a prestar com a justiça.
Os principais êxodos foram:

- Logo após a Revolução;
- 1964 – 1969;
- 1979 – 1981;
- 1987 até hoje com principal incidência em 1993.



Estes fluxos migratórios não têm todos os mesmos motivos:

- O primeiro fluxo tem haver com o vínculo que estes sujeitos tinham com a ditadura de Fulgencio Baptista;
- O fluxo relativo à década de 60 tem haver com o impacto das primeiras leis revolucionárias de carácter económico. Esta corrente emigratória também é influenciada por algumas posições e critérios políticos;
- O da década de 70, tem um forte carácter económico e alguns vestígios políticos;
- Na década de 80, os Estados Unidos começaram a aplicar a seguinte estratégia, reduzir a quantidade de vistos que permitissem a imigração legal para o seu território, e simultaneamente estimular as saídas ilegais, recebendo estes imigrantes como refugiados políticos;
- Esta situação agravou-se até à chamada “crisis de los balseros”, até que em 1994 assinaram-se novos acordos migratórios entre Cuba e os Estados Unidos, em que por um lado se despolitiza este assunto e por outro estabelecem-se taxas emigração/imigração e todos os Cubanos, que obtiverem recursos legais para estabelecerem-se em solo Norte-Americano terão as suas condições tal e qual outro emigrante originário de qualquer país, caso contrário os Estados Unidos estão incumbidos de devolve-los à pátria.



Balseros: como é sobejamente sabido sempre houve interesse por parte dos Estados Unidos da América sufocar um sistema político alternativo que nascia mesmo ao seu lado. A forma mais convencionada com Cuba e restantes países do bloco de leste, foi evidenciar todas as saídas destes países que no caso concreto de Cuba era inerente à condição de vida e de bem-estar. Porém na maior parte das vezes e falaciosamente, os EUA agregavam-lhes o aspecto político de “desafecto com a revolução”.
Para se ter uma ideia, repare-se nos números:

Vistos em 1988 – 3472;
Vistos em 1993 – 964.

Emigrantes Cubanos Ilegais 1990 – 463;
Emigrantes Cubanos Legais 1993 – 4208.

Depois dos acordos migratórios com os Estados Unidos, conseguiu-se estabelecer valores de 20000 vistos por ano sem contar com os familiares directos de cidadãos Norte-Americanos.

Desde então grande parte dos problemas com emigração ilegal foi resolvida.

Elian foi o caso mais mediático na saga dos Balseiros, e o melhor exemplo da “Batalha das Ideias”. Nesta estratégia de confronto actualmente trava-se esta batalha.

Image hosted by Photobucket.com

Imagem Ampliada – José Martí segura Elian e aponta para onde vem o mal.


5. Alusões ao vizinho indesejado cercam os Escritórios de Interesses Americanos.




6. Estratégia para o desenvolvimento económico do país

Como já foi referido a sustentação económica de Cuba assentava nas trocas comerciais com os países do antigo bloco socialista, sobretudo com a Ex-URSS. Quando caiu esta estrutura politico-económica era inevitável o colapso de alguns sectores da economia cubana – 85% dos seus mercados desapareceram.
Foi o IV Congresso do PCC que estabeleceu as prioridades para erguer a nação, sem que para isso não atingisse os principais bastiões de um regime socialista, a educação, assistência médica, e o acolhimento aos mais velhos, criando um programa alimentício para acelerar a produção de produtos básicos.
Então estabeleceu-se esta ordem:
I. Exploração eficiente de lugares turísticos, sobretudo praias e Cayos;
II. Difusão e exploração das descobertas científicas. Existem várias no âmbito das biotecnologias;
III. Impulso às exportações tradicionais, açúcar, citrinos, níquel, peixe, café e tabaco, ora aí está.



No V Congresso promoveu medidas com fim de aumentar a eficácia da sua economia:
I. Reforma bancaria;
II. Melhorar o controlo económico;
III. Aperfeiçoamento do sistema empresarial;
IV. Reestruturação paralela do emprego.

Isto traduziu-se na:
- Legalização de divisas convertíveis;
- O estado entregou 58% das suas terras a agricultores organizados em cooperativas;
- Saneamento financeiro interno;
- Novas leis tributárias;
- Aumento de preços de bens não essenciais;
- Eliminação de algumas gratuitidades (falaram-me bastante dos combustíveis),
- Estimulo ao auto-emprego;
- Abertura a mercados complementares, com criação de preços livres para produtos agro-pecuários e industriais;
- Organização e simplificação do aparelho de estado, dando mais autonomia às empresas e faculdades, no fundo uma administração descentralizada;



Esta é a estratégia que visa abertura à inversão do capital estrangeiro, como fonte imprescindível de capital, e consequente tecnologia e mercados, que de acordo com a actual realidade mundial são imprescindíveis para o desenvolvimento económico.

No entanto, no livro que me baseio para esta descrição, frisa que: o que não está na estratégia nem se oferece a sócios estrangeiros, é uma transferência para o capitalismo. Cuba é, e continuará a ser socialista.[Fonte: 100 preguntas y respuestas sobre CUBA, Carmen R. Alfonso Hernández, 2001]


7. Los deportes extremos en La Habana;

Para muitos de nós a via cubana é extrema. Contudo existem por todo o lado pequenos sinais de reacção a estimulos exteriores, independentemente de qual a sua origem. Ao contrário do que se possa pensar estamos perante um povo, sociedade, e cultura de abertura.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

ESTÁ TUDO DOIDO (PARTE II)

Eu até não era para escrever aqui mais, este ano, mas a velocidade com que as coisas acontecem, obriga-me a voltar a desabafar antes que este maravilhoso ano termine.
Vão mudar as presidências das empresas públicas, até aqui tudo bem, falta saber quanto vai custar a rescisões de tantos incompetentes (presidentes , digo).
O problema é que se está a falar no sr. António Mexia para a EDP, ora aí começa a crescer um grande espanto, é verdade ainda me consigo espantar, apesar de já viver em Portugal à 33 anos!!!!
Então não foi este Mexia que perdeu o negócio da compra dos postos da shell em Espanha ?
Passo a explicar o negócio a Galp iria comprar os postos de abastecimento Shell em Espanha, em troca a Repsol ficava com os postos de Portugal. Com este menino a negociar o que ficou foi a petrolífera espanhola com tudo.
Como prémio o menino foi para ministro daqueles governos fantásticos ( fantástico no sentido de Fantasporto), ainda não satisfeitos, os Deuses pensam agora dar a presidência da EDP a este gajo.
Moral da história: mais vale cair em graça que ser engraçado !!!!!
Por agora tenho dito.
Bom Ano de 2007, pois está visto que caminho 2006 vai levar...

THE AMERICAN DREAM - CUBA – XXXII

15/16 de Agosto de 2005 «Año de la Alternativa Bolivariana para las Américas» - Viagem de comboio entre Santiago de Cuba e La Habana.

- Carlos, como va usted para la Habana?
- De tren.
- Estoy vendo que le encanta meter-se en trabajos.
- Porqué?
- Porque se usted va en lo “especial” los horarios se cumplen. Al revés, lo tren puede-se quebrar y entonces nada te garante que la viaje dure 14 horas o 18, 19, 20 horas, o aun que dure 1, 2 o 3 dias.
- Bien, se tuviese tiempo seria una aventura muy interesante, pero así me preocupa un poco.



Bem seria muito mais interessante vir no comboio regular, mais incerteza, mais pessoas comuns, mas … o tempo urge e apetecia-me saltar para Havana e senti-la de uma forma diferente dos primeiros dias. Estava bastante mais à vontade em tudo, na língua, no manuseamento das duas moedas, nos meios e nas vias de comunicação, sabia que tinha plafond suficiente para os restantes dias, bem é uma sensação bem diferente de quando se é novato.



Ao fim e ao cabo, já tinha experimentado o comboio regular, pena não lhe ter tirado umas fotografias, porque é lindo.
Não se escolhe quando o comboio. Depende do dia que se vai. Alternam diariamente.
Para comprar o bilhete e conseguir a licença de trânsito perdi à vontade, mas curioso é que aqui não são os passageiros que esperam pelo comboio, mas é o comboio espera pelos passageiros. Não sabia deste detalhe, sendo assim “stressei” …
Custo da viagem 50 Pesos Convertíveis (50 US Dollars).



14 horas de viagem entre as 18.00 de 15, e as 08.00 de 16 de Agosto, passadas a conversar com alguns dos meus parceiros passageiros, a ler o biografia da heroína da Revolução, a revolucionária exemplar Célia Sanchez Manduley, e a dormir.
Sono gelado. O ar condicionado não tem meio-termo e está um frio do caraças. Pela primeira vez vesti toda a roupa que tinha.



Amanhecer … 08.00 La Habana … voltei ao calor e ao frenesim da capital.

THE AMERICAN DREAM - CUBA – XXXI

De 12 a 15 de Agosto de 2005 «Año de la Alternativa Bolivariana para las Américas» - Santiago de Cuba.

1. Antes de partir para Santiago de Cuba já tinha estipulado qual e quanto iria pagar pela casa. Mal cheguei tinha alguém que me esperava. Caminho bem traçado;




2. Nesta fase já tinha uma estratégia bastante apurada de aproximação aos “nativos” e estrangeiros que circulassem na cidade por onde passava. Obviamente que refiro-me a “nativos” e estrangeiros com que me pudesse identificar e vice-versa.
Dos primeiros contactos que tive foi na Libreria Escalera, organizada por um camarada revolucionário. Curioso, os camaradas não se identificavam como comunistas, mas como revolucionários. Então, este revolucionário dava a sua própria opinião sobre o regime, dizia:
- Carlos, yo creo que Fidel es muy político. Abre demasiados precedentes al pueblo.
- No es lo que dicen por alla … ;




3. Casa de las Tradiciones;




4. Centro Oriental de Ecosistemas y Biodiversidad – Comandante en Jefe cumple años 13 de Agosto;




5. Desfile de Carnaval - Comandante en Jefe cumple años, 13 de Agosto. Não é mais do que o aproveitamento de desfile de Carnaval de Fevereiro. Rezam que este Carnaval é o segundo maior carnaval do mundo. Então e o de Ovar? Acho que essa festa é brava;




6. Parque Céspedes;




7. A arte marcial chinesa. Sincronia;




8. Companheiros de estrada;




9. Seres "estranhos", SANTERIA;




10. Identidade Portuguesa em Cuba;




11. Resistência. Povo cubano, povo herói. O periodo de excepção [periodo especial] foi levantado derivado ao desmoronamento do bloco socialista no inicio dos anos 90. Tudo leva a pensar que é marcado por uma aproximação clara à económia capitalista e consequente surgimento de uma elite abastadada. Não vi, nem há relatos de tal, e falei com muita gente. Bem, ao longo deste periodo [sobretudo no inicio] são muito mais as estórias de resistência para manter a dignidade e o estomago aconchegado.
«Quando alguém acordava não tinha a certeza se havia almoço» - alguém afirmava.



O povo ainda tinha a capacidade de se rir com o seu próprio infortúnio, tornando popular a seguinte anedota sobre a escassez de ovos:

Fidel discursava - Camaradas, de acordo com a vontade de Deus vai haver ovos para todos.
Então Raul Castro interrompeu e sussurrou - Camarada, mas estamos num estado socialista, não há Deus!!
Fidel respondeu - não faz mal, também não há ovos.




No inicio dos anos 90 foi o periodo mais crítico da história recente cubana, algo para o qual julgo que não estaríamos preparados.
Neste momento o governo cubano garante alimentação para toda a população sem excepção. Qualquer tipo de mendicidade que se possa encontrar é deliberada e oportunista.